Abrage destaca digitalização de UHEs para flexibilidade e gestão de ativos em cenário de curtailment
A Associação Brasileira de Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) aponta a digitalização das usinas hidrelétricas como crucial para aprimorar a gestão de ativos e a flexibilidade operacional, em um contexto de crescente participação de fontes variáveis na matriz e novas regras de curtailment. O uso de dados e inteligência artificial é visto como estratégico para mitigar riscos e otimizar a operação.
A digitalização das usinas hidrelétricas (UHEs), com foco no uso estruturado de dados e inteligência artificial (IA), representa um caminho estratégico para o setor se adaptar às crescentes exigências de flexibilidade operacional e aos novos critérios de curtailment. Essa avaliação é da Abrage, que, em comunicado recente, destacou o tema debatido em agosto no encontro presencial de seu Comitê de Operação e Manutenção, enfatizando a importância da cooperação para uma geração mais eficiente.
A necessidade de maior agilidade na gestão dos ativos hidrelétricos é impulsionada pela transformação da matriz elétrica, que, com a crescente participação de fontes eólica e solar, exige das UHEs maior flexibilidade, com mais partidas, paradas e variações rápidas de carga. Tal regime pode acelerar processos de fadiga e degradação de componentes, tornando essenciais a manutenção preditiva e o monitoramento do dano acumulado. A Resolução Normativa ANEEL nº 1.170/2026, publicada em 9 de outubro, reforça esse imperativo ao incorporar progressivamente as UHEs com vertimento turbinável nos cortes de geração, demandando adaptação dos geradores aos Procedimentos de Rede do ONS e às Regras de Comercialização da CCEE.
O movimento de digitalização das UHEs está alinhado a um ecossistema regulatório e tecnológico em evolução. A ANEEL, por meio da RN nº 1.150/2026, já permite que distribuidoras utilizem IA, Blockchain e IoT para a criação de novas receitas, enquanto a Portaria MME nº 126/2026 impulsiona a instalação de medidores inteligentes. Além disso, o lançamento do 'TIAGO Dados Abertos' pelo ONS em agosto e o incentivo a serviços ancilares no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026) criam um ambiente propício para investimentos em infraestrutura mais resiliente e flexível, viabilizando o empilhamento de receitas para geradores com capacidade de oferta de serviços ancilares.
Apesar dos benefícios, a Abrage aponta desafios para a implementação da IA em UHEs, como a validação técnica das soluções, a garantia da qualidade dos dados de entrada e a necessidade de especialistas para interpretar resultados, especialmente em ambientes com poucos registros de falhas reais. A associação destaca seu papel em promover a cooperação e a padronização entre grandes geradores, fornecedores e centros de pesquisa. O objetivo é acelerar o aprendizado do setor, evitar a repetição de erros e construir referências técnicas aplicáveis à realidade brasileira, incluindo boas práticas de cibersegurança.
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