Aquisição da Meteoric pela Lynas testa nova política de minerais críticos do Brasil
A aquisição da australiana Meteoric Resources pela Lynas Rare Earths, avaliada em US$ 672 milhões, para o Projeto Caldeira de Terras Raras em Minas Gerais, representa o primeiro grande teste da recém-sancionada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) do Brasil, com o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) exercendo um papel decisivo na homologação da transação.
A Lynas Rare Earths, uma das maiores produtoras globais de terras raras, anunciou a aquisição da australiana Meteoric Resources por aproximadamente A$ 968 milhões (cerca de US$ 672 milhões), conforme comunicado da companhia. A transação confere à Lynas o controle total do Projeto Caldeira de Terras Raras, em Minas Gerais, e representa o primeiro grande teste da recém-sancionada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) do Brasil, que instituiu o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).
O Projeto Caldeira é reconhecido como o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China, contendo elementos de terras raras leves e pesados. A aquisição diversifica o portfólio da Lynas, que já opera o depósito de rocha dura de Mt Weld na Austrália, e visa fortalecer a cadeia global de suprimentos de minerais essenciais para tecnologias de transição energética, buscando fontes fora da China. A Lynas pretende avaliar o potencial para desenvolver atividades de processamento e separação de terras raras no Brasil, com um investimento de capital estimado em mais de US$ 500 milhões.
A operação está sujeita a aprovações regulatórias no Brasil e na Austrália. No cenário brasileiro, a homologação da mudança de controle societário pelo CIMCE é uma condição expressa para a conclusão da aquisição. O conselho, instituído pela Lei nº 15.506, sancionada em setembro de 2026, tem o poder de validar operações societárias em projetos de minerais considerados críticos ou estratégicos, como as terras raras, conferindo ao Estado brasileiro uma nova ferramenta de influência sobre a cadeia de valor.
A votação do esquema pelos acionistas da Meteoric está prevista para janeiro de 2027, com a implementação da aquisição esperada para março de 2027. A forma como o CIMCE conduzirá a homologação e se imporá condições relacionadas ao processamento downstream no Brasil será crucial, estabelecendo um precedente para a aplicação da PNMCE e sinalizando o grau de intervenção estatal esperado em futuras aquisições e investimentos no setor de minerais críticos no país.
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