Bateria de hidrogênio e ferro da Elestor projeta armazenamento de energia por até 25 anos
Um estudo da holandesa Elestor aponta que sua bateria de fluxo de hidrogênio e ferro pode oferecer armazenamento de energia em larga escala por até 25 anos, com baixo custo e materiais abundantes. A tecnologia surge em um momento em que o Brasil consolida seu marco regulatório para sistemas de armazenamento, incluindo um leilão de capacidade previsto para dezembro.
A empresa holandesa Elestor projeta uma nova geração de baterias de fluxo de hidrogênio e ferro capazes de armazenar energia por até 25 anos, com custos de capital e operacionais significativamente reduzidos, conforme estudos internos. A tecnologia, que utiliza hidrogênio gasoso no ânodo e sal de ferro dissolvido no cátodo, surge como uma alternativa promissora em um momento de consolidação regulatória e de mercado para o armazenamento de energia no setor elétrico brasileiro.
O Brasil avançou rapidamente na criação de um ambiente para sistemas de armazenamento de energia (SAEs). A Lei nº 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, reconheceu formalmente a atividade, alterando a Lei nº 9.427/1996 para incluir o armazenamento entre as competências da ANEEL. Em junho de 2026, a agência publicou as Resoluções Normativas nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026, que regulamentam as outorgas e procedimentos para SAEs autônomos. Complementarmente, o Ministério de Minas e Energia (MME) estabeleceu, pela Portaria Normativa nº 136/2026, as diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) para novos SAEs em baterias, previsto para dezembro de 2026.
A tecnologia da Elestor permite o dimensionamento independente de potência (MW) e capacidade de energia (MWh), característica que contribui para a escalabilidade. Estudos da companhia indicam uma vida útil operacional potencial de 20 a 25 anos, com eficiência energética estável acima de 80% e eficiência de ida e volta superior a 75% no nível do sistema. Os materiais ativos, hidrogênio e ferro, são abundantes e de baixo custo, resultando em um custo de capital (CAPEX) estimado em 15€/kWh e um Custo Nivelado de Armazenamento (LCOS) de 0,02€/kWh, conforme projeções da Elestor, o que evita as restrições de cadeia de suprimentos de lítio ou vanádio. A empresa planeja o lançamento comercial a partir de 2027-2028, com um projeto piloto de 20 MW e 200 a 800 MWh em desenvolvimento na Holanda.
A convergência de soluções como a da Elestor com o arcabouço regulatório brasileiro pode acelerar a descarbonização e a resiliência do sistema elétrico. Incentivos como a dispensa do Montante de Uso do Sistema de Transmissão para consumo (MUSTc-C) para SAEs autônomos controlados pelo ONS, aprovada pela ANEEL, e o custeio do Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCAP) pelos geradores, conforme a Lei nº 15.269/2025, criam um ambiente favorável. O primeiro LRCAP para SAEs, com produtos de 'Armazenamento Nacional' e 'Armazenamento', é um precedente regulatório que valida o armazenamento como ativo estratégico e abre portas para a introdução de tecnologias avançadas.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.