Brent supera US$ 113 com ataques no Oriente Médio e acumula terceira alta semanal
O petróleo Brent fechou a US$ 113,17 por barril na quinta-feira (22), o maior patamar desde maio, impulsionado por novos ataques no Oriente Médio que intensificam o prêmio de risco geopolítico. A escalada de 4% na cotação para entrega em dezembro na ICE marca a terceira semana consecutiva de valorização, pressionando custos de importação de combustíveis e GNL no Brasil.
O petróleo Brent, referência global, encerrou a quinta-feira (22) cotado a US$ 113,17 por barril para entrega em dezembro na Intercontinental Exchange (ICE), registrando uma alta de 4,0%. Este patamar representa o maior preço desde maio e consolida a terceira semana consecutiva de valorização, reflexo direto da intensificação de novos ataques no Oriente Médio que acentuam as preocupações com a estabilidade do fornecimento global de energia, segundo o Valor Online.
A escalada nos preços não se limitou ao Brent. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para entrega em dezembro também acompanhou a tendência, subindo 2,39% e fechando a US$ 99,47. Essa elevação reflete a intensificação das tensões geopolíticas, que elevam o prêmio de risco sobre o fornecimento global de petróleo, gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, preços mais altos nos mercados futuros.
No Brasil, o impacto é sentido em toda a cadeia de valor. A alta pressiona os custos de importação de petróleo e derivados pela Petrobras e outros agentes, com reflexos esperados nos preços da gasolina, diesel e GLP nas refinarias. No mercado de gás, o GNL importado, frequentemente indexado ao Brent, terá seu custo elevado para distribuidoras de gás natural e grandes consumidores industriais e termelétricos, elevando os Custos Variáveis de Geração (CVU) das usinas a gás e óleo e, potencialmente, o PLD e as bandeiras tarifárias de energia elétrica.
Esta valorização para US$ 113,17/barril não é um evento isolado, mas a continuidade e intensificação de uma tendência observada desde julho de 2026, quando o Brent já havia superado US$ 91, US$ 98, US$ 100 e US$ 104. Os ataques no Oriente Médio são um fator persistente, indicando que o mercado já precifica um prêmio de risco geopolítico elevado e duradouro, tornando a defasagem da Petrobras em relação à paridade de importação um tema recorrente na agenda do setor.
Diante da persistente volatilidade geopolítica, que pode levar a novas interrupções de oferta e manter o Brent em patamares elevados, traders e gestores de ativos precisam ajustar suas estratégias de hedge. Órgãos reguladores como ANP e ANEEL, além do Ministério de Minas e Energia (MME), podem ser pressionados a avaliar os impactos nos preços dos combustíveis e nas tarifas de energia, enquanto a Petrobras deve monitorar a defasagem crescente em sua política de preços.
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