Demanda de IA e choque de energia projetam reconfiguração do mercado elétrico no Brasil
A economia global enfrenta o choque dos preços de energia, mas investimentos em inteligência artificial sustentam o crescimento, avalia o FMI. No Brasil, essa dinâmica, combinada com a Lei do Redata e a abertura do mercado livre, projeta uma transformação profunda no setor elétrico, com demanda exponencial por lastro e oportunidades para geradores e comercializadoras.

A demanda exponencial por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial, combinada com o choque global nos preços de energia e a abertura do mercado livre, projeta uma reconfiguração no horizonte de contratação e lastro no Brasil. Enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento mundial de 3,1% para 2026, mitigado por investimentos em IA, o setor elétrico nacional se prepara para pressões e oportunidades significativas, conforme avaliações de especialistas como Carlo Pereira, do Times Brasil | CNBC, e projeções oficiais.
Nesse cenário, a Lei 15.504/2026, que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), oferece suspensão de tributos na aquisição de equipamentos de TI, exigindo que 100% da demanda energética seja suprida por fontes limpas ou renováveis. Este incentivo fiscal tende a alavancar a migração de grandes consumidores para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), ao mesmo tempo em que o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036) projeta um aumento de dez vezes na demanda de eletricidade por data centers até 2036, passando de 3 TWh para 30 TWh. A carga na Rede Básica do SIN pode saltar de 315 MWmed para 5.653 MWmed até 2030, segundo o MME e a EPE, sinalizando uma pressão massiva sobre a infraestrutura.
A reconfiguração pode ser aprofundada pelo Decreto 13.097/2026, que regulamenta a abertura total do Mercado Livre de Energia, permitindo que consumidores de baixa tensão migrem a partir de novembro de 2027 e os residenciais em novembro de 2028. Essa medida amplia o ACL, oferecendo maior poder de escolha e acesso a preços mais competitivos, um atrativo intensificado pela projeção da ANEEL de um aumento médio de 9,4% nas tarifas de energia elétrica para 2026.
O setor observa com atenção a pendência da regulamentação do Redata, com divergências entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério da Fazenda sobre a inclusão do gás natural como fonte elegível, o que pode atrasar a materialização dos benefícios. Adicionalmente, propostas em consulta pública, como o rateio do Encargo de Reserva de Capacidade, uma nova Taxa de Fiscalização de 0,4% sobre comercializadoras com cobrança retroativa e a exclusão da TEO de Itaipu do cálculo do PLD, podem introduzir riscos de custos e precificação para os agentes do ACL.
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