EDP estuda baterias para mitigar curtailment em renováveis no Brasil
A EDP avalia a implementação de sistemas de armazenamento por baterias no Brasil, buscando reduzir o curtailment que limita a operação e a expansão de projetos renováveis. A iniciativa visa otimizar a receita de ativos eólicos e solares, embora a viabilidade dependa de um arcabouço regulatório claro para a remuneração desses serviços.
A EDP está avaliando a implementação de sistemas de armazenamento de energia por baterias no Brasil, uma iniciativa estratégica para combater o curtailment que tem limitado a expansão e a operação de projetos renováveis no país. A medida, comunicada pela empresa, busca otimizar a receita de seus ativos eólicos e solares, que frequentemente sofrem cortes de produção devido a restrições na rede de transmissão ou necessidades de segurança do sistema elétrico.
O curtailment, cortes operacionais determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), impacta diretamente geradores eólicos e solares ao reduzir sua produção e, consequentemente, sua receita. As baterias permitiriam armazenar o excedente de energia que seria cortado, injetando-o na rede em momentos de maior demanda ou menor geração, maximizando o uso da capacidade instalada e aprimorando a flexibilidade operacional do sistema.
A viabilidade desses projetos, contudo, esbarra na ausência de um arcabouço regulatório e modelo de negócio claro para a remuneração dos serviços de armazenamento. Embora a Resolução Normativa ANEEL nº 1.032/2022 abranja serviços ancilares, a compensação específica para a mitigação de curtailment ainda está em fase de aprimoramento. A longo prazo, a adoção de baterias pode impactar positivamente o PLD ao reduzir a necessidade de despacho de termelétricas mais caras, e aumentar a confiabilidade da geração renovável.
Geradores de energia renovável, como a EDP, se beneficiariam da redução de perdas de receita e do aumento do fator de capacidade. O ONS ganharia maior flexibilidade e segurança operacional. O principal risco reside no custo inicial de implementação sem um mecanismo de remuneração específico, o que pode dificultar a atratividade econômica. A ANEEL e o MME têm o tema na agenda regulatória, e a evolução dos estudos de viabilidade técnico-econômica da EDP será um balizador para o desenvolvimento do mercado de armazenamento no Brasil.
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