El Niño intensificado projeta elevação de custos de energia e inflação entre 2026 e 2027
A intensificação do El Niño projeta volatilidade e elevação dos custos de energia elétrica no Brasil entre o final de 2026 e o início de 2027, impactando bandeiras tarifárias e o mercado livre. Para mitigar os efeitos, o CMSE aprovou a antecipação de 1,8 GW de geração adicional.

A intensificação do fenômeno El Niño, com pico projetado entre o final de 2026 e o início de 2027, sinaliza um cenário de pressão sobre os custos de energia elétrica e a inflação no Brasil. A UTV NEWS noticiou em 14 de outubro que o fenômeno ameaça encarecer alimentos e energia, com efeitos esperados até o primeiro trimestre de 2027, período em que a recarga dos reservatórios pode ser severamente impactada, especialmente entre setembro e março.
Para mitigar os potenciais impactos na oferta, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação da entrada em operação de 1,8 GW de geração elétrica adicional a partir de setembro de 2026. A medida visa reforçar o Sistema Interligado Nacional (SIN) e amortecer a possível queda nos níveis dos reservatórios, sobretudo na região Norte, em um contexto de demanda crescente impulsionada pelo uso intensivo de sistemas de climatização devido às altas temperaturas.
A volatilidade no mercado de energia já se reflete nas projeções de PLD Spot para o segundo semestre de 2026, que indicam uma ampla oscilação entre R$ 75/MWh e R$ 590/MWh. Contratos para o primeiro trimestre de 2027, por sua vez, são negociados em torno de R$ 288/MWh. Essa pressão nos custos de geração, com maior acionamento de termelétricas, tende a influenciar as bandeiras tarifárias da ANEEL, podendo levar à aplicação das bandeiras amarela ou vermelha e, consequentemente, elevar as contas de luz para consumidores do Ambiente de Contratação Regulada (ACR).
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), a incerteza no PLD pressiona a curva forward e a gestão de risco dos agentes. Geradores hidrelétricos podem enfrentar menor precipitação no Centro-Sul e Nordeste, enquanto térmicos serão mais acionados. O fenômeno climático também pode impactar financeiramente o setor de energias renováveis no Brasil, afetando investimentos e operações e pressionando a matriz energética.
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