EPE aponta riscos climáticos na transmissão e sugere ações para resiliência
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou um fact sheet que detalha os impactos das mudanças climáticas sobre a rede de transmissão de energia elétrica, apontando os principais riscos e caminhos para fortalecer a resiliência do sistema nacional.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou o fact sheet "Transmissão e Mudanças Climáticas", o segundo de uma série dedicada aos efeitos do clima no setor elétrico brasileiro. O documento, parte da segunda etapa do "Roadmap para Fortalecimento da Resiliência do Setor Elétrico em resposta às Mudanças Climáticas", detalha os riscos crescentes à rede de transmissão e sugere medidas para aumentar sua robustez e segurança.
Com quase 190 mil quilômetros de extensão, a rede de transmissão brasileira é majoritariamente aérea, expondo-a a eventos climáticos extremos. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, entre 2014 e 2023, 43% dos desligamentos em linhas foram causados por fatores como descargas atmosféricas, queimadas, ventos fortes e temporais. Um exemplo recente foi o alagamento de mais de dez subestações e a interrupção de cerca de 40 linhas no Rio Grande do Sul em 2024, devido a chuvas intensas.
O fact sheet da EPE, embora não estabeleça novas regras, serve como subsídio técnico fundamental para futuras decisões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do ONS. As recomendações incluem investimentos em monitoramento de eventos climáticos extremos, fomento a P&D em redes inteligentes e aprimoramento de planos de adaptação, que podem se traduzir em requisitos para as concessionárias de transmissão. A Aneel já realizou a Tomada de Subsídios 002/2024 sobre o tema, e um Projeto de Lei (PL nº 6041/23), que obriga concessionárias a adotarem estratégias de resiliência, foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio de 2025.
A adaptação da infraestrutura de transmissão para maior resiliência implicará "custos elevados com a modernização de equipamentos e tecnologias", conforme o próprio documento. Esses investimentos tendem a ser remunerados via Receita Anual Permitida (RAP), impactando a Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) no médio e longo prazos. A maior segurança do sistema, contudo, pode mitigar a volatilidade do PLD em eventos climáticos severos, que historicamente causam interrupções e exigem despacho mais caro.
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