EPE publica roadmap para fortalecer resiliência climática do setor elétrico
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou em 14 de outubro um roadmap que consolida a avaliação dos impactos das mudanças climáticas no sistema elétrico brasileiro e propõe estratégias para sua adaptação. O documento visa preparar o setor para antecipar e responder a eventos extremos, garantindo a segurança e confiabilidade do suprimento.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou em 14 de outubro de 2026 o "Roadmap para Fortalecimento da Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro em Resposta às Mudanças Climáticas". O estudo realiza uma avaliação sistêmica dos potenciais impactos das mudanças climáticas sobre o sistema elétrico nacional e propõe estratégias e medidas para ampliar a capacidade de adaptação do setor, em reconhecimento ao desafio crescente para a segurança energética.
O roadmap da EPE propõe uma mudança fundamental nos critérios de planejamento do setor elétrico, sugerindo que novos empreendimentos de geração, transmissão e demanda considerem cenários futuros de temperatura, chuva, vento e eventos extremos, em vez de se basear exclusivamente em séries históricas. Para a infraestrutura já existente, o documento recomenda reforçar ativos, ampliar redundâncias, utilizar materiais mais resistentes e expandir a capacidade de armazenamento, para maior robustez do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Embora seja uma orientação técnica e não uma norma regulatória, a publicação do roadmap conclui a ação de curto prazo CP17 do Plano de Recuperação dos Reservatórios de Regularização de Usinas Hidrelétricas do País (PRR), que tem embasamento legal no Art. 30 da Lei nº 14.182/2021. Este respaldo institucional é relevante para o setor elétrico brasileiro, que, com uma matriz predominantemente hídrica (cerca de 55% da geração atual), é intrinsecamente vulnerável a eventos climáticos extremos.
A implementação das estratégias propostas, contudo, dependerá de futuras decisões do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que precisarão definir os processos regulatórios específicos. Há uma tensão inerente entre o fortalecimento da resiliência e a modicidade tarifária, pois os investimentos em reforço de infraestrutura e redundâncias podem se refletir em custos operacionais e de capital, impactando potencialmente o custo marginal de operação (CMO), o PLD e os custos de lastro nos ambientes de contratação.
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