Equador impõe cortes de energia de 48 horas e eleva tarifa para indústrias
As indústrias equatorianas enfrentam cortes de energia de até 48 horas contínuas por semana, a partir de outubro e com previsão até dezembro, em uma medida drástica para gerenciar a demanda em meio à crise hídrica. A restrição, que força a autogeração, vem acompanhada de um aumento significativo nas tarifas elétricas para grandes consumidores, elevando os custos de produção e impactando a competitividade do setor.
As indústrias do Equador enfrentam cortes de energia de até 48 horas contínuas por semana, uma intensificação das restrições elétricas já em vigor e com previsão de duração até dezembro de 2026. A medida, aplicada desde os primeiros dias de outubro, visa reduzir a demanda em aproximadamente 550 MW da rede nacional. As empresas distribuidoras notificaram as indústrias sobre a ampliação da medida entre 29 e 30 de setembro.
Mais de 9.000 empresas são impactadas, abrangendo 185 grandes indústrias e quatro de altíssima demanda, como mineradoras e siderúrgicas, além de 8.900 de médio volume. Durante o período de desconexão, essas companhias devem zerar seu consumo da rede, sendo compelidas a reorganizar suas jornadas de produção em blocos, de segunda a sábado, e a recorrer à autogeração para manter as operações. A medida busca preservar as reservas do embalse Mazar, crucial para a geração hidrelétrica do país.
A intensificação dos cortes é acompanhada por um aumento tarifário significativo para as empresas de alto e médio consumo. Desde 1º de outubro, a tarifa para grandes indústrias (Alto Voltaje 1) passou de aproximadamente US$ 0,12 por kWh para US$ 0,30 por kWh, enquanto para o segmento Alto Voltaje 2 foi ajustada para US$ 0,29 por kWh. Esse choque de custos, somado às despesas com autogeração — que pode atingir US$ 90 por dia para cobrir 60% da demanda de uma empresa de alimentação pecuária, por exemplo —, eleva drasticamente os custos de produção em toda a cadeia.
A crise energética equatoriana é impulsionada por um cenário de estiaje severo, pelos efeitos do fenômeno El Niño, baixos caudais nos reservatórios hidrelétricos e limitações na importação de energia da Colômbia, além da falta de incorporação de nova geração elétrica. A situação é comparada à crise de 2024, o que indica uma recorrência de desafios no suprimento. A Câmara de Indústrias e Produção do Equador já questionou publicamente o aumento das tarifas e solicitou uma revisão, enquanto o setor camaronero, que exige fluxo contínuo de energia, demandou garantias de fornecimento de diesel para autogeração.
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