Estudo da ABSAE aponta até R$ 6 bilhões anuais em benefícios com baterias no sistema elétrico
Uma análise da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (ABSAE) em parceria com a Volt Robotics estima que a integração de baterias no sistema elétrico pode gerar até R$ 6 bilhões por ano em benefícios, otimizando o despacho e a integração de renováveis. O potencial surge após a formalização regulatória e a previsão dos primeiros leilões de capacidade para a tecnologia.
Um estudo da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (ABSAE), em parceria com a Volt Robotics, estima que o uso de sistemas de armazenamento de energia (SAEs) com baterias no sistema elétrico brasileiro pode gerar até R$ 6 bilhões anuais em benefícios. A projeção, divulgada pela entidade, chega em um momento de consolidação regulatória para a tecnologia, que ganhou arcabouço legal e mecanismos de contratação nos últimos meses.
A formalização do armazenamento de energia como atividade própria no setor elétrico foi consolidada pela Lei nº 15.269/2025, que superou a insegurança jurídica anterior. Complementarmente, a ANEEL aprovou em junho de 2026 as Resoluções Normativas nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026, estabelecendo requisitos para outorgas de SAEs autônomos e colocalizados, com autorizações de até 35 anos, e permitindo a inclusão de unidades reversíveis em hidrelétricas existentes. O Ministério de Minas e Energia (MME) avançou com a Portaria Normativa nº 136/2026, que prevê os primeiros Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP) focados em SAEs para dezembro de 2026, com contratos de 15 anos e início de suprimento em agosto de 2028.
Os benefícios estimados pela ABSAE e Volt Robotics vêm principalmente da redução de encargos operacionais, arbitragem de energia e menor acionamento de termelétricas mais caras, além do melhor aproveitamento de energia renovável que hoje é perdida. Um estudo da Aurora Energy Research para a ABSAE aponta que a contratação de 1 GW em baterias pode custar até R$ 4,6 bilhões a menos do que o mesmo volume em termelétricas a gás natural, sinalizando um potencial de redução de custos sistêmicos. No entanto, a manutenção da 'dupla cobrança' de TUSD/TUST para SAEs autônomos, que pagam pelo uso da rede tanto na injeção quanto no consumo para carregamento, é uma preocupação da Absolar, que avalia que essa estrutura tarifária pode comprometer a viabilidade econômica de certas aplicações.
Para o setor, a contratação de SAEs tende a impactar positivamente o PLD, especialmente em períodos de ponta, ao reduzir o acionamento de usinas térmicas mais onerosas. Atualmente, o PLD no Sudeste/Centro-Oeste é de R$ 94,21/MWh, conforme dado de 02/10/2026. A arbitragem de energia e a integração de renováveis podem estabilizar a curva forward, diminuindo a volatilidade e o risco hidrológico. Contudo, além da questão tarifária, a Lei nº 15.269/2025 prevê o rateio dos custos de contratação de SAEs em leilões de reserva de capacidade entre os geradores.
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