Estudo: energia responde por 68% da alta de preços de produtos e serviços no Brasil
O custo da energia foi responsável por 68% da elevação dos preços de 48 produtos e serviços no Brasil entre 2000 e junho de 2026, segundo levantamento da Ex Ante Consultoria Econômica, encomendado pela Abrace. O estudo aponta que o encarecimento da eletricidade e do gás natural pressiona a inflação e afeta a competitividade da indústria nacional.

A energia elétrica e o gás natural responderam por 68% da alta de preços de 48 produtos e serviços analisados no Brasil entre 2000 e junho de 2026, conforme estudo da Ex Ante Consultoria Econômica, encomendado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). Os itens avaliados representam 32,6% da cesta que compõe o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação oficial do país.
O levantamento detalha que o custo unitário da eletricidade para a indústria brasileira subiu 523,8% em reais no período, enquanto o do gás natural avançou 2.604%, o equivalente a aproximadamente sete vezes a inflação acumulada. Em dólares, a eletricidade teve alta de 327,7% no Brasil, superando em 182,4 pontos percentuais os Estados Unidos e em 218,1 pontos percentuais a União Europeia. Essa disparidade contribuiu para que os preços dos produtos industriais brasileiros crescessem 613%, contra 102% nos EUA e 45% na União Europeia.
A capilaridade dos custos energéticos na cadeia produtiva é evidente em exemplos como o pão francês, cujo preço final tem quase 30% de participação de gastos com energia, e o cimento, com 32%. Na construção civil, a energia responde por 14% do custo das atividades e por 72% da elevação dos preços nas últimas duas décadas. Para mitigar esse impacto, a Abrace propõe uma agenda para retirar R$ 109,1 bilhões anuais em custos da tarifa de energia, incluindo a revisão de encargos e a eliminação de contratações compulsórias de mais de 10.000 MW de fontes como carvão, biomassa, gás natural e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).
A tese do alto custo da energia como vetor inflacionário e de perda de competitividade é recorrente no setor. Em setembro, o Instituto CLP já havia apontado que a tarifa de energia elétrica no Brasil superava a de 77 nações, e a ANEEL projetou uma elevação média de 9,4% nas tarifas para 2026, impulsionada por encargos setoriais. As propostas da Abrace, apresentadas como uma agenda aos candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026, buscam reverter esse cenário, sugerindo, entre outras medidas, que o Fundo Social possa bancar os custos de encargos setoriais, transferindo essas despesas para o Orçamento da União.
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