Gás natural sobe na Europa com estoques baixos e inverno iminente
Os preços do gás natural no mercado atacadista europeu e britânico registraram alta na terça-feira (29), revertendo quedas anteriores, impulsionados pela proximidade do inverno, níveis de armazenamento abaixo da média e incertezas geopolíticas. O benchmark holandês TTF subiu 1,77% e o britânico 2,8% no dia, com ambos acumulando ganhos expressivos no mês e no ano.

Os preços do gás natural no mercado atacadista europeu e britânico subiram na terça-feira (29), revertendo quedas anteriores, impulsionados pelos baixos níveis de armazenamento e pela proximidade do inverno. O contrato de referência holandês (TTF) para gás natural com vencimento em um mês avançou 1,77%, para € 72,53 por megawatt-hora, enquanto no Reino Unido o contrato para o dia seguinte aumentou 2,8%, para 180,91 pence por termia, segundo informações da Advfn.
Ambos os contratos caminham para fechar o mês de setembro em alta. O TTF holandês projeta um ganho de 3,9%, e o britânico, com dados mais recentes, uma alta de 7,3% para o mês. Nos últimos dois meses, os preços de referência já haviam subido mais de 50%, reflexo da incerteza geopolítica, especialmente no Estreito de Ormuz, e da acirrada competição por cargas de gás natural liquefeito (GNL). No acumulado do ano, o TTF acumula alta de 161%, e o contrato britânico, de 142%.
A situação dos estoques de gás na Europa permanece um fator central, com os níveis atuais aproximadamente 12 pontos percentuais abaixo dos registrados no mesmo período de 2025, variando entre 67% e 71% da capacidade total, contra uma média sazonal de cinco anos de 87%. A Comissão Europeia, por meio do Comissário Dan Jørgensen, tem apelado aos Estados-membros para que implementem medidas imediatas de redução do consumo, como limitar temperaturas em edifícios públicos, enquanto as metas de preenchimento de 90% da capacidade para o inverno 2026/2027 permanecem.
Este cenário de "preços de energia muito altos" impacta diretamente os custos de aquecimento e eletricidade para famílias e empresas, gerando um efeito inflacionário sobre toda a economia europeia, monitorado pelo Banco Central Europeu. A União Europeia também avança na eliminação gradual das importações de gás russo, com a proibição completa de GNL a partir de janeiro de 2027 e de gás por gasoduto em novembro de 2027, o que restringe a oferta e intensifica a busca por fontes alternativas. A volatilidade do mercado dependerá das temperaturas, retiradas dos estoques, disponibilidade de GNL e desenvolvimentos geopolíticos.
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