ONS detalha excesso de oferta e custos operacionais em agosto
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou o boletim de agosto de 2026, que aponta um cenário de excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN), com aumento dos custos de inflexibilidade térmica e significativo curtailment de renováveis, enquanto as exportações para a Argentina geraram receitas para termelétricas e agentes do MRE.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicou o Boletim Mensal de Custos da Operação e Valoração da Segurança da Operação referente a agosto de 2026, que detalha um cenário de excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN). O relatório aponta que os custos de Unit Commitment atingiram R$ 43 milhões, um aumento de 34% em relação ao mês anterior, e houve elevação nos custos de geração térmica por inflexibilidade, enquanto a exportação de energia para a Argentina gerou receitas estimadas de R$ 316 milhões para termelétricas e R$ 81,3 milhões para participantes do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE).
A exportação de energia para a Argentina, regida pela Portaria MME nº 49/2022, funcionou como um mecanismo crucial para escoar parte do excedente de geração, mitigando custos e beneficiando termelétricas e agentes do MRE com as receitas mencionadas. Contudo, o cenário de sobreoferta levou ao acionamento do Plano de Gestão de Excedentes pela segunda vez em 2026, resultando em um corte de 4,6046 TWh de geração eólica e solar no Rio Grande do Norte entre janeiro e agosto, impactando diretamente a rentabilidade e o aproveitamento da garantia física desses empreendimentos.
O volume de curtailment no Nordeste, onde o Custo Marginal de Operação (CMO) projetado para a primeira projeção de agosto foi de R$ 114,58/MWh, sinaliza uma pressão de baixa sobre o PLD nos submercados com maior excedente. No entanto, o aumento dos custos de Unit Commitment e de inflexibilidade térmica indica que a gestão do excesso de oferta e a necessidade de serviços ancilares continuam a pressionar os custos operacionais totais do SIN. A persistência do curtailment, alinhada às projeções do Plano de Expansão de Energia (PEN) 2026 de cortes de até 40 GW nos picos, representa um risco crescente para novos investimentos em geração renovável.
O boletim também aponta diferenças entre as premissas de cálculo da valoração da segurança da operação do ONS e dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) da CCEE, introduzindo incerteza regulatória e de precificação para os agentes. Atualmente, o PLD no Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste está em R$ 57,31/MWh. A geração solar, por sua vez, representa cerca de 19,5% da matriz elétrica, evidenciando a relevância do gerenciamento de excedentes e da integração dessas fontes no sistema.
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