ONS padroniza validação de modelos para eólicas, solares e BESS
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estabeleceu novas diretrizes para a validação de modelos computacionais de usinas eólicas, solares fotovoltaicas e sistemas de armazenamento de energia (BESS), permitindo a certificação única por família de equipamento e exigindo o modo Grid-Forming para baterias. A medida visa aprimorar a representação operacional dessas tecnologias no Sistema Interligado Nacional (SIN), aumentando a transparência e a consistência nos estudos elétricos.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicou novas diretrizes que padronizam a validação de modelos computacionais para usinas eólicas, solares fotovoltaicas e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), impactando diretamente a representação desses ativos nos estudos elétricos do SIN. A principal mudança, em vigor a partir de 19 de outubro de 2026, é a possibilidade de realizar a validação uma única vez por família de equipamentos e versão de modelo, eliminando a necessidade de repetição para cada empreendimento que utilize a mesma tecnologia.
A iniciativa do ONS busca aumentar a transparência e reduzir divergências nos estudos elétricos do Sistema Interligado Nacional, medida relevante para a segurança operacional frente à crescente penetração de fontes renováveis e armazenamento. As novas diretrizes detalham critérios técnicos para modelos computacionais, incluindo a validação de Controladores de Usina (PPC) nos Níveis 1 e 2, e definem requisitos mínimos para modelos em transientes eletromagnéticos (EMT), visando aprimorar a representação do comportamento dos equipamentos em diferentes condições da rede.
Para os sistemas BESS, a validação deve ser realizada obrigatoriamente no modo Grid-Forming, enquanto o modo Grid-Following é considerado uma condição degradada e dispensa validação específica. Essa exigência eleva o rigor técnico, garantindo que esses sistemas sejam modelados com sua capacidade de suporte à rede em mente, proporcionando ao ONS uma base de dados mais homogênea e confiável para estudos elétricos e uma representação aprimorada do comportamento dinâmico desses ativos e sua interação com o SIN.
Os principais atores afetados são os agentes responsáveis por empreendimentos de geração eólica, solar fotovoltaica e sistemas BESS, além dos fabricantes de equipamentos baseados em eletrônica de potência. Esses agentes precisam revisar as novas notas técnicas, como a NT-ONS DPL 0436/2026, ajustar seus modelos computacionais às novas exigências e podem encaminhar dúvidas ao ONS por meio de formulário eletrônico até 10 de novembro de 2026.
A padronização da validação de modelos, passando de uma abordagem por empreendimento para uma por família de equipamento e versão de modelo, simplifica e agiliza o processo para o setor. Geradores de eólica, solar e BESS que já possuem modelos validados por família de equipamento ganham em agilidade e redução de custos administrativos, evitando a repetição do processo para cada novo projeto. Fabricantes que investem em modelos robustos e padronizados também se beneficiam da simplificação.
Esta ação do ONS se alinha a um esforço contínuo de aprimoramento regulatório e operacional para a integração de fontes renováveis e armazenamento no SIN. Em junho de 2026, a ANEEL já havia regulamentado os Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica (SAE), estabelecendo outorga e conexão. O ONS também tem divulgado cronogramas para atualizar a apuração de restrições eólicas e fotovoltaicas, reforçando a necessidade de modelos precisos para a segurança operacional.
A maior confiabilidade e consistência nos modelos operacionais de eólicas, solares e BESS, decorrente das novas diretrizes, tende a reduzir a incerteza no planejamento e despacho dessas fontes. Isso pode levar a uma otimização mais eficiente do sistema, potencialmente mitigando a necessidade de despacho de termelétricas mais caras em momentos de maior volatilidade ou restrição, o que, por sua vez, pode influenciar positivamente o PLD e a curva forward em submercados com alta penetração dessas tecnologias.
O principal risco reside na capacidade dos fabricantes e agentes de se adaptarem rapidamente às novas exigências, especialmente para a validação de BESS no modo Grid-Forming e os requisitos para modelos em transientes eletromagnéticos (EMT). Um atraso na adequação dos modelos pode gerar gargalos no processo de conexão de novos projetos, impactando o cronograma de entrada em operação de usinas essenciais para a expansão da oferta e a flexibilidade do sistema, com potenciais reflexos na garantia física e na disponibilidade de lastro.
O ONS prevê a publicação de um documento de apoio com respostas consolidadas às dúvidas dos agentes até 30 de novembro de 2026. A regra de transição permite o aproveitamento das validações por família de equipamento e versão de modelo, reduzindo o retrabalho para tecnologias já validadas, mas o setor precisará demonstrar agilidade na adequação para evitar impactos nos cronogramas de projetos.
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