Paraguai anuncia destinação de energia de Itaipu para data centers em parceria com EUA
O Paraguai vai alocar parte de sua cota de energia da hidrelétrica de Itaipu para data centers de inteligência artificial, em um acordo com empresas norte-americanas e paraguaias, conforme anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA. A iniciativa, que deve iniciar operações em meados de 2027, representa uma mudança na tradicional venda do excedente ao Brasil.

O governo do Paraguai, em parceria com empresas dos Estados Unidos e locais, direcionará parte de sua cota de energia da usina hidrelétrica binacional de Itaipu para abastecer data centers de inteligência artificial. O acordo, anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA nesta quarta-feira (21), envolve a norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico, com a primeira fase da instalação prevista para meados de 2027. Essa decisão marca uma nova destinação para a energia que, tradicionalmente, seria vendida como excedente ao Brasil.
A iniciativa se baseia na prerrogativa do Paraguai de dispor de sua cota de 50% da energia gerada por Itaipu, conforme estabelecido pelo Tratado de 1973. O interesse norte-americano em adquirir energia da hidrelétrica para data centers não é recente, manifestado desde novembro de 2025 e reforçado em maio de 2026 pelo então secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A formalização deste acordo ocorre em meio às discussões entre Brasil e Paraguai sobre a revisão das regras de comercialização da eletricidade, previstas no Anexo C do tratado, adicionando complexidade ao cenário.
A potencial alocação de 500 MW a 1.000 MW médios da energia paraguaia para os data centers, a partir de 2027, tende a impactar o suprimento de energia para o mercado brasileiro, que historicamente absorve esse excedente. No Brasil, o setor elétrico já projeta uma demanda crescente por data centers, com a EPE estimando 5,6 GW médios até 2030 e o ONS alertando para 2 GW e propondo revisão de regras de conexão. Essa nova demanda no Paraguai pode pressionar o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) nos submercados Sul e Sudeste/Centro-Oeste e a curva forward para os próximos anos, elevando custos para consumidores livres e distribuidoras.
A ausência do Brasil nas negociações diretas do acordo, conforme informado pela diretoria brasileira de Itaipu, introduz um elemento geopolítico e levanta preocupações sobre a segurança do suprimento nacional. Enquanto o Paraguai ganha autonomia e atrai investimentos, o Brasil pode enfrentar a necessidade de compensar a redução da oferta com fontes mais caras, impactando o Custo Marginal de Operação (CMO) e, consequentemente, o PLD. A situação acentua a urgência das discussões sobre o Anexo C, que agora precisarão considerar um novo cenário de menor disponibilidade da energia paraguaia para o mercado brasileiro.
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