PDE 2036 projeta 13 GW de flexibilidade e inclui UHRs pela primeira vez
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 da EPE estima que o Brasil alcançará 13 GW de flexibilidade no setor elétrico até 2036, com destaque para o aumento de baterias e resposta da demanda, além da inédita inclusão de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs). O documento, que prevê R$ 3,3 trilhões em investimentos, está em consulta pública até 6 de novembro.
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME), projeta que o Brasil terá 13 GW de flexibilidade em seu setor elétrico até 2036. O documento, que orienta o planejamento energético de 2027 a 2036, está em consulta pública, aberta pela Portaria SNTEP/MME nº 3.246, de 7 de outubro de 2026, com prazo para contribuições até 6 de novembro.
A capacidade projetada de flexibilidade é composta por 7,2 GW de baterias, um aumento frente aos 6,6 GW previstos no plano anterior, e 4 GW de resposta da demanda, que também cresceu dos 3,2 GW anteriores. Pela primeira vez, o planejamento inclui 2 GW de Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs), sinalizando a necessidade de novos arranjos de mercado para reconhecer os serviços dessas fontes. O PDE 2036 estima um volume de R$ 3,3 trilhões em investimentos para a expansão e modernização da infraestrutura energética brasileira no período.
A inclusão de UHRs e o avanço nas projeções para baterias e resposta da demanda refletem uma mudança estrutural no planejamento, buscando maior segurança e otimização do Sistema Interligado Nacional (SIN), que integra uma parcela crescente de fontes eólica e solar. A maior flexibilidade tende a reduzir a volatilidade do PLD e do Custo Marginal de Operação (CMO), especialmente em momentos de estresse do sistema ou alta penetração de renováveis, ao permitir o armazenamento e despacho estratégico de energia. No Ambiente de Contratação Livre (ACL), a resposta da demanda abre novas oportunidades de receita para consumidores que podem modular seu consumo, enquanto no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), a contratação via leilões de capacidade visa garantir lastro e reduzir o despacho de térmicas mais caras.
Apesar do avanço, a meta de 4 GW para resposta da demanda no PDE 2036 ainda é conservadora se comparada ao potencial de 8,8 GW estimado pela própria EPE em setembro, e aos 344 MW atualmente contratados. Essa lacuna ilustra o desafio de transformar potencial em capacidade real e a urgência de aprimoramentos nos mecanismos de mercado. A materialização dos investimentos e da capacidade projetada dependerá da consolidação do plano e da efetiva implementação dos novos arranjos de mercado e mecanismos de contratação, um processo que investidores e agentes do setor acompanharão de perto.
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