SIN encerra período seco com reservatórios mais cheios que em 2025, diz CMSE
O Sistema Interligado Nacional (SIN) concluiu o período seco de 2026 com níveis de armazenamento superiores aos do ano anterior, conforme o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Em paralelo, a ANEEL publicou novos critérios para a redução de geração de usinas despachadas centralizadamente e adiou a representação do programa de Resposta da Demanda em modelos de otimização.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) encerrou o período seco de 2026 com 61% de energia armazenada em seus reservatórios, superando os 56% registrados no final de setembro de 2025, informou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul, impulsionados por chuvas intensas em setembro, alcançaram 56% e 84% de armazenamento, respectivamente, enquanto Nordeste e Norte fecharam com 68% e 72%. Esse cenário favorável reflete a combinação das precipitações e de decisões operacionais, como a antecipação de 1,8 GW de termelétricas em julho para reforçar a segurança do sistema.
Em um movimento que impacta diretamente a previsibilidade operacional de geradores, a ANEEL publicou a Resolução Normativa nº 1.170, em 9 de outubro de 2026, estabelecendo novos critérios para a redução ou limitação de geração de usinas despachadas centralizadamente. A norma define uma ordem de prioridade para o ONS alocar os cortes de geração em eventos de razão energética: usinas do Bloco 1, seguidas pelas do Bloco 2 e, por último, as do Bloco 3. Embora a medida traga maior clareza ao processo de curtailment, seus efeitos financeiros só começarão a valer em 90 dias, com um período transitório de até 180 dias de “Operação Sombra” para simulação das novas regras.
Paralelamente, a agência reguladora apresentou ao CMSE um cronograma para aprimorar os mecanismos de Resposta da Demanda, com implementação prevista para 2027. Contudo, a diretoria da ANEEL adiou, em 22 de setembro, a aprovação da representação do programa nos modelos de otimização eletroenergética. O ONS e a CCEE receberam um prazo de 90 dias para aperfeiçoar os mecanismos de divulgação e transparência, postergando a plena integração desse mecanismo de flexibilização da demanda no planejamento e operação do SIN.
A robustez dos reservatórios, com o EAR SIN em 61% e o PLD Médio em R$ 58,16/MWh, tende a manter os preços de energia em patamares mais baixos no mercado de curto prazo, favorecendo consumidores livres e mitigando a necessidade de despacho térmico mais caro. Geradores com usinas de maior prioridade (Bloco 1) tendem a ganhar previsibilidade de receita com a nova RN 1.170/2026, enquanto os de menor prioridade (Bloco 3) podem enfrentar maior risco de curtailment. O atraso na Resposta da Demanda, por sua vez, impede a exploração de um potencial adicional de otimização da carga que poderia beneficiar o sistema como um todo.
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