TCU aponta déficit de R$ 400 milhões para extensão da vida útil de Angra 1
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um déficit de R$ 400 milhões no financiamento das obras de extensão da vida útil de Angra 1, conforme apontamento aprovado em 21 de outubro de 2026. A Eletronuclear não conseguiu cobrir integralmente os custos estimados, mesmo após a emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures. A insuficiência de recursos eleva o risco de atrasos no projeto, essencial para a licença de operação da usina até 2044.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um déficit de R$ 400 milhões no financiamento das obras de extensão da vida útil de Angra 1, conforme apontamento aprovado em 21 de outubro de 2026. A Eletronuclear, responsável pela usina, não conseguiu cobrir integralmente os custos estimados para as intervenções, mesmo após a emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures, conforme relatório do órgão de controle.
O custo total do Programa de Extensão da Vida Útil (LTO) de Angra 1 é estimado em mais de R$ 3,5 bilhões. Além do déficit atual, a estatal ainda precisa captar os R$ 2,4 bilhões restantes do plano de debêntures e equacionar outros R$ 500 milhões em recursos próprios. A Axia Energia (J&F/Âmbar Energia) tem a obrigação de subscrever o montante restante, com a liberação dos valores atrelada ao cronograma físico das obras, que precisam ser concluídas até 2028 para garantir a licença de operação da usina até 2044.
A situação expõe a fragilidade financeira da Eletronuclear, que registrou prejuízo de R$ 142 milhões em 2025 e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões. A demora na emissão das debêntures já forçou a companhia a recorrer a empréstimos-ponte, gerando um custo financeiro adicional estimado em R$ 185 milhões até fevereiro de 2026. O Tribunal cientificou o Ministério de Minas e Energia (MME), a ENBPar e o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB) para atuarem na correção da situação, que também impactou a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) com atrasos de pagamentos.
Para o Radar Energia, o déficit financeiro de Angra 1, uma usina de base, evidencia uma tensão crítica entre a segurança do suprimento e a saúde financeira da Eletronuclear. A potencial indisponibilidade ou atraso na extensão da vida útil pode pressionar o PLD e a curva forward de longo prazo, especialmente no submercado SE/CO, onde o PLD está em R$ 57,31/MWh, elevando o custo de oportunidade da energia e o risco de descontratação. Em última instância, os custos adicionais e a deterioração da situação podem ser repassados aos encargos setoriais ou às tarifas de energia, afetando consumidores do ACL e ACR.
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