Unicamp desenvolve bateria de fluxo para armazenamento mais seguro e barato
Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma nova arquitetura de bateria de fluxo que visa tornar o armazenamento de energia solar e eólica mais seguro, com custo reduzido e montagem simplificada. A inovação emprega eletrodos cilíndricos e circulação interna de eletrólito, eliminando a necessidade de bombas e mangueiras externas.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma nova arquitetura de bateria de fluxo que visa tornar o armazenamento de energia solar e eólica mais seguro, barato e simples de montar. A inovação, que utiliza eletrodos cilíndricos e um mecanismo interno de circulação do eletrólito, elimina a necessidade de bombas e mangueiras externas, reduzindo significativamente o risco de vazamentos e simplificando a manutenção, conforme comunicado pela universidade.
A tecnologia emprega eletrólitos aquosos não inflamáveis e componentes nacionais, como grafite, com foco na reciclagem da cadeia de chumbo brasileira. Em testes de laboratório, a bateria alcançou aproximadamente 400 ciclos de carga e descarga sem aditivos, superando sistemas similares que não excedem 100 ciclos, e apresentou uma eficiência de carga de 98% e energética de cerca de 82%. Projetada para sistemas de armazenamento estacionário de energia em grande escala (BESS), a expectativa é de uma vida útil de até 20 anos, com a capacidade plena recuperável pela substituição do eletrólito degradado.
O desenvolvimento da Unicamp se insere em um cenário crescente de pesquisa e aplicação de baterias de fluxo para armazenamento de energia em larga escala no Brasil e no mundo. O Radar Energia já reportou em 2026 sobre a bateria de hidrogênio e ferro da holandesa Elestor, que projeta armazenamento por até 25 anos, e a entrega de sistemas BESS pela Navvion à UFMT para pesquisa, demonstrando o avanço e a importância estratégica dessas tecnologias para o setor elétrico.
Atualmente, a tecnologia está em fase de pesquisa e desenvolvimento universitário. Os pesquisadores da Unicamp depositaram um pedido de patente junto ao INPI, com apoio da Inova Unicamp. O próximo passo para a inovação chegar ao mercado depende do interesse comercial de empresas dispostas a licenciar a tecnologia e dar continuidade ao seu desenvolvimento para transformá-la em sistemas comerciais de armazenamento.
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