Minas Gerais lidera potencial de 3 GW para leilões de baterias, aponta MME
Minas Gerais se destaca com as maiores margens individuais para a conexão de sistemas de armazenamento de energia em baterias no país, indicando um potencial técnico de quase 3 GW em projetos como Arinos 2 e Janaúba 3. O dado, divulgado pelo MME, reforça a estratégia regulatória para integrar a tecnologia nos próximos Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP), visando maior flexibilidade e segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Minas Gerais desponta como o estado com o maior potencial técnico para a conexão de sistemas de armazenamento de energia em baterias no Brasil, com margens individuais que podem alcançar quase 3 GW. O Ministério de Minas e Energia (MME) destaca projetos como Arinos 2, com 2,96 GW, e Janaúba 3, com 2,92 GW, como líderes nesse cenário, sinalizando a viabilidade para a contratação de capacidade via Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP).
A liderança mineira materializa os esforços regulatórios iniciados em julho deste ano, quando o MME publicou a Portaria Normativa nº 136/GM/MME/2026, estabelecendo as diretrizes para os LRCAP com armazenamento. Em um desdobramento rápido, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou em agosto um recorde de 6.091 projetos de baterias, somando 296.807 MW, para esses leilões, enquanto a ANEEL abriu consultas públicas para as minutas dos editais.
A Portaria Normativa nº 136/GM/MME/2026 estabelece as bases para a contratação de baterias em leilões de capacidade, complementada pela Portaria nº 135/2026, que aborda a viabilização da tecnologia em leilões de energia existente. A ANEEL, por sua vez, tem a tarefa de regulamentar e aprovar os editais específicos dos certames, uma etapa fundamental que está em fase de consulta pública.
A inserção de capacidade de armazenamento em baterias em larga escala, especialmente em um estado com grande potencial renovável como Minas Gerais, é considerada um avanço significativo para a segurança e a flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Esses sistemas permitem uma melhor integração de fontes intermitentes como solar e eólica, que em setembro de 2026 representavam, respectivamente, 18,2% (43,2 GW) e 13,1% (31,1 GW) da capacidade instalada da matriz elétrica brasileira, e podem otimizar o despacho, reduzindo a necessidade de termelétricas mais caras em momentos de pico.
Ao funcionar como capacidade firme e flexível, as baterias podem ser carregadas em períodos de excedente de geração e descarregadas em momentos de alta demanda ou baixa oferta, contribuindo para achatar a curva de preços e moderar a volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e do Custo Marginal de Operação (CMO). A flexibilidade que o armazenamento oferece pode beneficiar o sistema.
O SIN ganha em lastro firme e flexibilidade operacional, mitigando o risco hidrológico e a dependência de despacho térmico. Geradores de fontes intermitentes terão maior capacidade de otimizar sua produção e participar de serviços ancilares. Consumidores livres podem se beneficiar de uma maior estabilidade de preços a longo prazo, embora os custos de contratação dessa capacidade nos LRCAP sejam repassados via encargos setoriais, podendo pressionar as tarifas no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) em um primeiro momento.
A expressiva capacidade individual dos projetos em Minas Gerais, como os quase 3 GW de Arinos 2 e Janaúba 3, estabelece um precedente técnico e de mercado para a viabilidade e escala da tecnologia de armazenamento no Brasil. Isso valida as diretrizes do MME e o forte interesse do setor, pavimentando o caminho para a consolidação de um novo segmento de mercado para a garantia de capacidade, que antes dependia quase exclusivamente de hidrelétricas e termelétricas.
O principal risco para a materialização desse potencial reside na competitividade dos preços nos próximos Leilões de Reserva de Capacidade. Embora haja grande interesse e potencial técnico, a efetiva contratação dependerá dos lances e da atratividade econômica dos projetos. Custos elevados de contratação de baterias podem, inicialmente, pressionar os encargos setoriais e, consequentemente, as tarifas no ACR, antes que os benefícios operacionais de flexibilidade e segurança se traduzam em moderação de custos globais do sistema.
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