MME inclui DLR, HVDC-VSC e BESS inéditos no POTEE 2026 de transmissão
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2026, que formaliza a inclusão inédita de tecnologias como Dynamic Line Rating (DLR), HVDC-VSC e Sistemas de Armazenamento por Baterias (BESS) no planejamento da rede nacional. O plano prevê um investimento estimado de R$ 24 bilhões em 45 obras a serem implantadas até 2033.

O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou, em 2 de outubro, o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2026, que formaliza a inclusão inédita de três tecnologias inovadoras no planejamento da rede nacional. As 45 obras previstas no plano, com investimento estimado em R$ 24 bilhões, têm implantação prevista até 2033, para otimizar o escoamento de energia renovável, aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e reduzir custos sistêmicos de operação.
Entre as inovações, o plano prevê a aplicação do Dynamic Line Rating (DLR) para a linha Mogi Guaçu–São João da Boa Vista II (SP), elevando sua capacidade em 20%, de 79 MVA para 95 MVA. O Bipolo Nordeste II será o primeiro no SIN a utilizar a tecnologia HVDC-VSC para transmitir 3.000 MW entre Angicos (RN) e Itaporanga 2 (SP), com data de necessidade em janeiro de 2033. Complementarmente, um Sistema de Armazenamento por Baterias (BESS) de 100 MW/200 MWh com tecnologia grid-forming será implementado na Subestação Cruzeiro do Sul (AC), também de forma inédita no planejamento da transmissão brasileira e com licitação prevista para o primeiro leilão de transmissão de 2027.
Essas soluções, resultado de estudos técnicos detalhados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), inserem-se em um contexto mais amplo de modernização da infraestrutura do SIN, alinhando o Brasil às tendências globais de digitalização das redes elétricas. A expectativa é que o HVDC-VSC contribua para a redução de restrições de escoamento, com impacto positivo no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) nos submercados de maior geração, enquanto o DLR pode postergar investimentos em novos ativos. O POTEE 2026 foi consolidado após uma consulta pública de 30 dias, iniciada em 14 de julho, para coletar contribuições antes da versão final.
A inclusão inédita de HVDC-VSC e BESS com tecnologia grid-forming no planejamento da transmissão brasileira estabelece um precedente fundamental para a futura expansão da rede. Geradores de energia renovável no Nordeste se beneficiam com melhor escoamento e menor curtailment, o que tende a melhorar a atratividade e a bancabilidade de seus projetos. As distribuidoras obtêm maior margem para contratação de Montante de Uso do Sistema de Transmissão (MUST) via DLR, o que oferece flexibilidade na gestão de seus contratos.
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