ONS planeja operação especial para eleições com térmicas adicionais e reforço na transmissão
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) comunica a implementação de uma operação especial para as eleições de 2026, acionando geração térmica adicional e reforçando a segurança operativa de linhas de transmissão estratégicas. As medidas visam garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) nos dias de votação, com impacto potencial nos custos do setor e no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) comunicou aos agentes do setor, na semana de 28 de setembro de 2026, a implementação de uma operação especial para as eleições deste ano, que inclui o acionamento de geração térmica adicional e o reforço da segurança operativa de linhas de transmissão estratégicas. A iniciativa, planejada para os dias de votação de 4 e 25 de outubro, busca assegurar a confiabilidade do suprimento de energia em um período considerado crítico para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Entre as medidas detalhadas pelo ONS, está a exigência do critério N-3 (perda tripla) para a linha Foz do Iguaçu-Tijuco Preto, crucial para o escoamento de energia de Itaipu, a ser observado durante todo o domingo das eleições. Além disso, haverá limitação de potência para os linhões do Madeira (4,1 GW) e Xingu (4 GW), e os agentes deverão manter estoques sobressalentes de combustível e operar em regime de sobreaviso. O plano também prevê a limitação do intercâmbio de energia entre as regiões Norte, Nordeste e Sudeste para suportar eventuais perdas duplas, enquanto a ANEEL autorizou a antecipação de R$ 308,4 milhões para armazenamento de combustível em sistemas isolados da Amazônia, devido à baixa navegabilidade dos rios.
O despacho térmico adicional, especialmente se ocorrer fora da ordem de mérito, tende a ser alocado nos Encargos de Serviços do Sistema (ESS), com impacto futuro sobre tarifas e reajustes. A ANEEL, por exemplo, projeta uma elevação média de 9,4% nas tarifas de energia em 2026, impulsionada por encargos setoriais e componentes financeiros. Para o Mercado Livre de Energia (ACL), o custo operacional mais elevado da geração térmica impacta imediatamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que pode ser pressionado para cima, podendo atingir valores elevados, como R$ 4.000/MWh em cenários de despacho fora da ordem de mérito.
A necessidade de tais medidas preventivas reflete a preocupação contínua com a segurança energética e a vulnerabilidade estrutural do SIN, especialmente em um contexto de estresse hídrico regional e projeções de carga crescente. O próprio ONS, em suas projeções para o atendimento eletroenergético até fevereiro de 2027, já indicava a necessidade de térmicas e o uso do Custo Variável de Referência (CVaR) 15/40, o que contextualiza a operação eleitoral como parte de um esforço mais amplo de garantia da estabilidade do sistema.
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