OPEP projeta alta de 23% na demanda global por energia primária até 2050
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estima um crescimento de 23% na demanda global por energia primária até 2050, defendendo a necessidade de US$ 17.4 trilhões em investimentos em petróleo, gás e outras fontes para evitar escassez. A projeção, divulgada pelo secretário-geral da entidade, Haitham Al Ghais, no Congresso Mundial do Petróleo, ressalta a importância de aportes contínuos para garantir a segurança energética global.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) projeta que a demanda global por energia primária crescerá 23% entre 2026 e 2050, um cenário que exige cerca de US$ 17.4 trilhões em investimentos acumulados até meados do século. A estimativa foi apresentada pelo secretário-geral da OPEP, Haitham Al Ghais, durante a 25ª edição do Congresso de Energia do Conselho Mundial do Petróleo (WPC), realizado na Arábia Saudita, conforme apuração da agência Lusa.
Al Ghais atribui a necessidade de investimentos à expansão demográfica, com a população mundial prevista para aumentar em aproximadamente 1.5 bilhão de pessoas até 2050, e à duplicação da economia global. A crescente demanda por centros de dados para inteligência artificial também é citada como um fator impulsionador do consumo energético. O secretário-geral da OPEP enfatizou que a indústria de petróleo e gás demanda longos prazos de execução, de cinco a sete anos, para projetos de exploração, produção, refino e distribuição, tornando os investimentos imediatos cruciais para evitar futuros déficits de oferta.
A OPEP alerta que a falta de investimento é a causa da atual escassez de diesel, combustível para aviões e gasolina, e projeta um possível déficit de 23 milhões de barris/dia no mercado de petróleo até 2030 caso os aportes em upstream sejam interrompidos. Tal cenário implicaria em significativa pressão altista sobre os preços do Brent, que hoje opera em US$ 105,85, e dos derivados globalmente, impactando diretamente a paridade de importação e a inflação de combustíveis em países como o Brasil. No cenário doméstico, o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036) do MME e EPE prevê R$ 3,3 trilhões em investimentos até 2036, enquanto o setor de biocombustíveis já registra R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados, e a “Lei do Combustível do Futuro” visa mobilizar um montante significativo de aportes.
A tese da OPEP tensiona com as políticas globais de descarbonização, que buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Para a organização, a segurança energética de longo prazo depende da continuidade dos investimentos em todas as fontes, incluindo petróleo e gás, para atender à demanda crescente. O risco reside no descompasso entre essa projeção e as metas climáticas, podendo gerar tanto choques de oferta por subinvestimento quanto ativos encalhados caso a transição energética acelere mais rapidamente.
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