EPE projeta demanda recorde de QAV em 2027 e revisa diesel para 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta um aumento de 3,0 bilhões de litros na demanda nacional por combustíveis líquidos e GLP em 2026, com mais 4,2 bilhões de litros esperados para 2027, totalizando 155,8 bilhões de litros no ano que vem. O relatório, divulgado em outubro, aponta ainda uma demanda recorde para o Querosene de Aviação (QAV) e revisões para baixo no diesel e combustíveis do ciclo Otto em 2026.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou em outubro seu relatório bimestral "Perspectivas para o Mercado Brasileiro de Combustíveis no Curto Prazo", projetando um crescimento de 3,0 bilhões de litros na demanda nacional por combustíveis líquidos e GLP em 2026. Para 2027, a expectativa é de um acréscimo de 4,2 bilhões de litros, elevando o consumo total para 155,8 bilhões de litros, um cenário que demanda atenção no planejamento de suprimento e logística do setor.
O documento da EPE, que serve de subsídio para o planejamento estratégico dos agentes, aponta revisões para baixo nas estimativas de 2026 para o óleo diesel, com uma redução de 200 milhões de litros, fixando a projeção em 72,4 bilhões. Os combustíveis do ciclo Otto também tiveram sua demanda para 2026 ajustada de 65,1 bilhões para 64,8 bilhões de litros. Em contraste, a demanda por Querosene de Aviação (QAV) em 2027 deve superar o recorde histórico de 2014, atingindo 7,8 bilhões de litros, refletindo a recuperação e expansão do setor aéreo.
As projeções impactam diretamente refinarias, importadores, terminais e distribuidores, que precisam ajustar suas cadeias de suprimento e estratégias de estoque frente à demanda esperada. O mercado opera sob a tensão de conflitos internacionais, como os do Oriente Médio, que têm provocado escalada nos preços do petróleo. O Brent, por exemplo, foi negociado hoje próximo de US$ 109,66, e a Petrobras já reajustou o preço médio do combustível em 11,76% em outubro, acumulando alta de 74% desde março de 2026, expondo a economia brasileira à volatilidade global devido à dependência de importações de derivados.
No segmento de biocombustíveis, produtores e distribuidores de etanol se beneficiam das perspectivas de uma safra de cana-de-açúcar superior e do crescimento do etanol de milho. Essa conjuntura fortalece a oferta e a competitividade do biocombustível frente à gasolina, podendo impulsionar sua participação no mix de combustíveis do ciclo Otto. A publicação bimestral da EPE segue fornecendo inteligência de mercado, complementando outros estudos para subsidiar o planejamento energético nacional e a tomada de decisão dos agentes.
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