Abegás defende gás mais competitivo e desvinculado de referências internacionais
A Abegás defende que a revisão tarifária das transportadoras de gás natural evite a dupla remuneração de ativos e que os preços do gás sejam parcialmente desvinculados das referências internacionais, buscando maior competitividade e estímulo ao consumo industrial no Brasil. A associação também destaca o potencial do gás e biometano no transporte rodoviário pesado, em um cenário de aumento da oferta de gás nacional.
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) defende um mercado de gás natural mais competitivo no Brasil. A entidade propõe preços menos atrelados a referências internacionais e uma revisão tarifária das transportadoras que evite a dupla remuneração de ativos. Essa posição foi apresentada por Marcos Lopomo, diretor Econômico e Regulatório da Abegás, durante o Sergipe Oil & Gas 2026, com o objetivo de estimular o consumo industrial e aproveitar o aumento da oferta nacional.
Para a Abegás, a revisão tarifária das transportadoras, processo em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e no Conselho de Usuários (CdU), deve priorizar a justiça tarifária e um modelo regulatório equilibrado. A associação propõe a desvinculação parcial dos preços do gás do mercado internacional, buscando alinhamento com os custos de produção nacionais. Essa medida visa mitigar a exposição à volatilidade do Brent e do GNL, que historicamente penaliza a indústria brasileira, e pode resultar em uma redução do preço final do gás para o setor industrial.
A expectativa de entrada de novos volumes de gás, provenientes de projetos como Sergipe Águas Profundas e da Margem Equatorial nos próximos anos, reforça a oportunidade de ampliar a competitividade do mercado. Esse aumento de oferta tende a pressionar os preços para baixo e favorecer a demanda industrial. Lopomo também destacou o potencial de expansão do gás natural e do biometano no transporte rodoviário pesado. O Brasil importa cerca de 20% do diesel consumido e já dispõe de aproximadamente 157 postos de abastecimento para veículos a gás. O biometano, em particular, pode reduzir as emissões em mais de 80% em comparação com o diesel.
As propostas da Abegás se inserem em um contexto mais amplo de abertura do mercado de gás, no qual a ANP busca promover a concorrência e a Petrobras implementa bandas de preço para maior previsibilidade. Contudo, a desvinculação parcial dos preços pode gerar resistência de produtores com custos dolarizados, enquanto a revisão tarifária pode levar a disputas com as transportadoras. A associação também acompanha as negociações trimestrais de contratos de fornecimento com a Petrobras e outros supridores, reforçando a importância da produção nacional para a segurança energética do país.
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