EIA projeta produção recorde de petróleo bruto nos EUA em 2026, a 13,8 milhões de b/d
A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) projeta que a produção de petróleo bruto do país atingirá um recorde de 13,8 milhões de barris por dia (b/d) em 2026, superando a marca de 2025. A expansão, impulsionada pelo Permiano e Golfo do México, sinaliza uma oferta robusta que pode influenciar a dinâmica global de preços, em contraste com projeções mais contidas de outros órgãos.
A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) projeta que a produção de petróleo bruto do país alcançará um recorde de 13,8 milhões de barris por dia (b/d) em 2026. A estimativa, divulgada no Short-Term Energy Outlook (STEO) de setembro de 2026, supera o recorde anterior de 13,7 milhões de b/d estabelecido em 2025, consolidando a expansão da oferta norte-americana em um cenário global de preços elevados e volatilidade.
O crescimento projetado é impulsionado principalmente pela região do Permiano, no Texas e Novo México, e pelo Golfo do México Federal. A EIA prevê que o Permiano atingirá uma média de 6,8 milhões de b/d em 2026, um aumento de 3% em relação a 2025. No Golfo do México Federal, a expectativa é de um crescimento de 3% no ano, com quatro grandes projetos, incluindo a Unidade Flutuante de Produção (FPU) Shenandoah, que já adiciona cerca de 70.000 b/d desde julho de 2025. Este cenário é viabilizado por preços favoráveis, com o West Texas Intermediate (WTI) superando o preço de equilíbrio médio do Permiano.
A expansão da oferta dos EUA se insere em um contexto global de projeções divergentes e instabilidade. Enquanto a produção norte-americana avança, a OPEP cortou sua projeção de demanda global de petróleo para 2026 pela terceira vez em julho, citando instabilidade, e a Agência Internacional de Energia (IEA) alertou para riscos geopolíticos e revisou para baixo as projeções de demanda e oferta em agosto. Para o Brasil, o aumento da produção nos EUA tende a mitigar pressões de alta nos preços globais, mas o Brent, com valores elevados, ainda pressiona os preços de combustíveis como gasolina e diesel no mercado doméstico, dada a dependência de importações de derivados e o câmbio, com o dólar em patamar elevado.
A volatilidade cambial no Brasil, influenciada por fatores globais, representa um risco duplo: enquanto a desvalorização do real pode beneficiar empresas com receitas em dólar, ela também encarece equipamentos e serviços importados, impactando o CAPEX de projetos de exploração e produção. Adicionalmente, mudanças na política energética dos EUA, como potenciais tarifas sobre máquinas e equipamentos offshore, podem afetar os custos de investimento em projetos brasileiros, mesmo que petróleo cru e derivados sejam excluídos de sobretaxas diretas.
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