Aneel projeta alta de 9,4% na tarifa média em 2026, impulsionada pela CDE
A ANEEL estima um aumento médio de 9,4% nas tarifas de energia elétrica para 2026, conforme a terceira edição do boletim InfoTarifas, superando as projeções de inflação. O crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) é o principal vetor dessa pressão, embora um repasse de R$ 5,5 bilhões da repactuação do Uso de Bem Público (UBP) deva mitigar o impacto para consumidores em regiões específicas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) projeta um efeito médio tarifário de 9,4% para o ano de 2026, conforme a terceira edição de seu boletim InfoTarifas, divulgada nesta sexta-feira (18). A nova estimativa supera as projeções de inflação do IGP-M (4,4%) e do IPCA (5,0%), além de representar uma alta em relação à projeção anterior de 8,6% para o período. Os custos financeiros, com 4,7 pontos percentuais, e os encargos setoriais, com 1,6 p.p., são os principais fatores de pressão sobre as tarifas.
O crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) se destaca como o maior vetor de elevação, com uma estimativa total de R$ 52,7 bilhões para 2026, dos quais R$ 47,8 bilhões são da CDE-Uso, configurando um avanço de 15,4% frente ao ano anterior. Contudo, a ANEEL repassou R$ 5,5 bilhões, provenientes da repactuação do Uso de Bem Público (UBP) de hidrelétricas, para distribuidoras das regiões Sudam e Sudene, incluindo Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo. O mecanismo, viabilizado pela Lei nº 15.235/2025, permitiu que 24 das 34 geradoras elegíveis quitassem o UBP à vista com 50% de desconto, buscando aliviar o impacto tarifário para os consumidores cativos dessas áreas.
Para os consumidores do Ambiente de Contratação Regulada (ACR), o aumento médio de 9,4% reforça o sinal de preço para a migração ao Mercado Livre de Energia (ACL), onde o custo da energia é negociado e menos exposto a esses encargos. A manutenção da bandeira tarifária amarela em setembro, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh, segue a tendência observada em agosto e adiciona pressão aos custos do cativo, somando-se aos reajustes individuais já homologados, como o da Creral (14,46% para a tarifa residencial B1) e a proposta para a Neoenergia Brasília (1,86%).
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