Auren tem prejuízo de R$ 379,1 milhões no 2T26; Portaria do MME pode compensar curtailment
A Auren Energia reportou um prejuízo líquido de R$ 379,1 milhões no segundo trimestre de 2026, com queda de 12,4% no EBITDA Ajustado. Contudo, a Portaria Normativa nº 140 do MME, publicada em julho, abre caminho para a companhia receber cerca de R$ 300 milhões em compensação por cortes de geração (curtailment) retroativos.
A Auren Energia divulgou nesta quarta-feira (05/08) seus resultados do segundo trimestre de 2026, com um prejuízo líquido de R$ 379,1 milhões, uma redução de 32,7% em relação ao 2T25. No entanto, o EBITDA Ajustado da companhia retraiu 12,4%, para R$ 858,9 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 5,9%, alcançando R$ 3,055 bilhões. Os números foram divulgados após o fechamento do mercado, em linha com o calendário da empresa.
A despeito do resultado, a companhia tem uma expectativa de recuperação de perdas passadas com a publicação da Portaria Normativa nº 140 do Ministério de Minas e Energia (MME), em 21 de julho. A norma estabelece os procedimentos para a compensação financeira de geradores eólicos e solares afetados por cortes de geração (curtailment) no período de setembro de 2023 a novembro de 2025. A Auren estima ter direito a cerca de R$ 300 milhões e avalia a manifestação de interesse em participar do mecanismo até o dia 10 de agosto, prazo final da Portaria.
O curtailment teve um impacto financeiro negativo de R$ 97,8 milhões para a Auren no 2T26, apesar dos ganhos de modulação do portfólio, que somaram R$ 70,5 milhões no trimestre. A compensação retroativa, se efetivada, tende a melhorar a liquidez e os resultados futuros da empresa, mitigando parte do prejuízo reportado. Para o mercado, a existência de um mecanismo de compensação para curtailment pode reduzir o prêmio de risco em contratos de longo prazo para projetos eólicos e solares, influenciando a curva forward e os preços de contratação no ACL ao longo do tempo.
A principal lacuna e risco para o setor reside na ausência de regulamentação específica da ANEEL para a compensação de curtailment a partir de dezembro de 2025. Essa incerteza regulatória pode afetar a previsibilidade de receita de novos projetos eólicos e solares, elevando o custo de capital e desestimulando investimentos futuros em um setor vital para a expansão da matriz energética. O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) médio no submercado Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, caiu de R$ 308/MWh no 1T26 para R$ 207/MWh no 2T26, refletindo a dinâmica do mercado e a incorporação do Custo de Reposição de Capacidade (LRCAP).
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