Tribunal homologa recuperação extrajudicial da Raízen de R$ 61,4 bilhões
A Raízen obteve a homologação judicial de seu Plano de Recuperação Extrajudicial em 30 de julho de 2026, reestruturando R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. O plano converte 45% dos créditos em participação acionária e 55% em novos instrumentos de dívida, além de prever um aumento de capital de até R$ 4 bilhões.
A Raízen obteve a homologação judicial de seu Plano de Recuperação Extrajudicial em 30 de julho de 2026, reestruturando dívidas financeiras de R$ 61,4 bilhões. A decisão, proferida pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo, torna o plano imediatamente efetivo e vinculante para todos os credores abrangidos, conforme comunicado pela companhia.
O plano prevê a conversão de 45% dos créditos quirografários em participação acionária (units) da Raízen, ao preço de R$ 0,25 por ação/unit, enquanto os 55% restantes serão transformados em novos instrumentos de dívida. Além disso, a reestruturação inclui um aumento de capital entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, com a Shell Brasil Petróleo Ltda. comprometendo-se com R$ 3,5 bilhões em dinheiro e a Aguassanta Participações S.A. com a possibilidade de injetar R$ 500 milhões adicionais.
A reestruturação inclui uma reorganização societária que segrega as atividades da Raízen em duas unidades autônomas: Raízen Energia, focada em etanol, açúcar, bioenergia e geração, e Raízen Combustíveis, dedicada à distribuição de combustíveis da marca Shell. Credores financeiros quirografários, que aderiram ao plano com 81,6% de aprovação, e acionistas minoritários, que enfrentarão diluição, serão os principais afetados, enquanto clientes e fornecedores não terão suas obrigações alteradas.
Classificada como a maior recuperação extrajudicial do país, a operação estabelece um precedente histórico para grandes reestruturações no setor de energia e biocombustíveis. A efetivação da segregação das unidades de negócio está prevista para até 31 de dezembro de 2027, e a nova estrutura de governança, com um Chief Restructuring Officer (CRO) e um comitê de credores, acompanhará a implementação do plano.
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