Alta competição do Leilão de Transmissão beneficia consumidor com deságio acima de 50% e R$ 8,9 bi em investimentos
Certame realizado na B3 teve 5 vencedores, prevê 20,3 mil empregos e assegura infraestrutura indispensável para a transição energética, avalia a ABRATE

O Leilão de Transmissão nº 4/2026-ANEEL, realizado nesta sexta-feira (30) na B3, em São Paulo, contratou R$ 8,9 bilhões em investimentos para expansão e modernização da infraestrutura elétrica nacional. A acirrada concorrência pelos ativos resultou em um deságio médio de 50,10% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima estipulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A disputa gerou uma economia direta de R$ 818,9 milhões por ano para a conta do consumidor, com a RAP global contratada fixada em R$ 811,1 milhões — frente ao teto regulatório inicial de R$ 1,63 bilhão.
O certame assegura a implantação de 1.866 km de novas linhas de transmissão, além da continuidade da operação de 483 km de linhas existentes e 12.694 MVA em capacidade de transformação. As obras estão distribuídas em oito lotes por sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. As cinco empresas vencedoras (Celeo Redes, Neoenergia, Cymi, EDP e Cox Brasil) firmaram os contratos de concessão com duração de 30 anos, com prazos de entrada em operação fixados entre 42 e 60 meses.
"O resultado do leilão é uma prova que a competitividade do leilão traz um grande ganho para o consumidor. A transmissão é a infraestrutura que traz o crescimento da economia, a transição energética e a confiabilidade que o sistema interligado precisa", afirma a presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Talita Porto.
O maior projeto do certame, o Lote 4 — com investimentos estimados em R$ 4,11 bilhões para implantar 1.167 km de linhas que cortam Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo —, foi arrematado pela Celeo Redes com deságio de 50,55% e RAP de R$ 377,09 milhões, consolidando uma rota estratégica para o escoamento de energia entre o Centro-Oeste e o Sudeste. A empresa, maior vencedora em volume financeiro ao arrematar R$ 4,87 bilhões em projetos, também garantiu o Lote 8, com aporte de R$ 753,18 milhões e deságio de 48,02%, voltado à instalação de três compensadores síncronos na Subestação Coletora Porto Velho (RO) para reforçar a estabilidade e a resiliência elétrica de Rondônia e do Acre.
A Neoenergia assegurou dois ativos no certame, que somam R$ 1,16 bilhão em investimentos. O Lote 1, arrematado com deságio de 51,21% (RAP de R$ 59,85 milhões) e aporte de R$ 493,1 milhões destacou-se por aliar a implantação de 238 km de novas linhas à gestão contínua de 483 km de estruturas existentes no Sul e Centro-Sul da Bahia. No Nordeste, o grupo também venceu o Lote 7, com R$ 665,32 milhões em investimentos e deságio de 38,55% (RAP de R$ 68 milhões), expandindo a rede do Sertão paraibano com duas novas subestações (Coremas II e Cajazeiras II) e 113 km de linhas.
Os investimentos voltados a grandes polos de consumo do Sudeste e Sul ficaram com CYMI, COX Brasil e EDP. A CYMI venceu os lotes 3 e 5, somando R$ 2,05 bilhões em investimentos. O Lote 3 registrou o maior deságio do leilão (57,08%), com RAP de R$ 78,70 milhões e aporte de R$ 1,1 bilhão para a Subestação Santana (Mogi das Cruzes), reforçando a Grande São Paulo; já o Lote 5 foi vencido em viva-voz contra a Engie com deságio de 46,36% (RAP de R$ 96,4 milhões) e R$ 982,5 milhões para o atendimento à Região Metropolitana de Curitiba. No Paraná, o Lote 6 ficou com a COX Brasil, com deságio de 53,46% (RAP de R$ 37,85 milhões) e aporte de R$ 480,25 milhões na Subestação Iguaçu, próxima a Foz do Iguaçu. Por fim, o Lote 2 foi arrematado pela EDP, que investirá R$ 316,97 milhões (deságio de 53,29% e RAP de R$ 26,53 milhões) em 126 km de linhas para interligar Bahia e Goiás, fortalecendo o Nordeste goiano.
Infraestrutura e transição energética
Segundo estimativas oficiais, as obras do certame demandarão a abertura de cerca de 20,3 mil postos de trabalho diretos. Além de viabilizar a ampliação do escoamento de energia e a confiabilidade regional, o leilão destaca-se pela contratação de quatro compensadores síncronos — equipamentos indispensáveis para prover inércia e estabilidade eletromecânica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em um cenário de penetração acelerada de usinas renováveis intermitentes (eólica e solar).
“Investir em transmissão vai muito além de expandir a malha. Trata-se de modernizar continuamente o sistema. A incorporação de ativos como os compensadores síncronos confere a inércia e a estabilidade de que o Sistema Interligado precisa para integrar o avanço das fontes renováveis e preparar o país para a eletrificação da indústria e da mobilidade”, destaca Talita.
Ciclo histórico de investimentos
O resultado deste leilão reforça o ciclo expansivo da infraestrutura elétrica no Brasil. Com os R$ 8,9 bilhões licitados, o volume estimado de investimentos no segmento de transmissão no ciclo recente salta para mais de R$ 78,5 bilhões nominais (superando R$ 86 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA).
Atualmente, o país opera com uma malha de cerca de 200 mil km de linhas de transmissão, mantendo elevado índice de entrega e disciplina executiva: das 137 obras em implantação via leilão, 88% estão no prazo ou com cronograma antecipado. Para a próxima década, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) estima a necessidade de alcançar 230 mil km de linhas e mobilizar R$ 120 bilhões em novos aportes, mantendo a transmissão como alicerce indispensável da segurança e competitividade econômica nacional.
Confira os resultados:
- Lote 4 (PR/MS/GO, 1.167 km de linhas): Empresa Celeo, RAP ofertada R$ 377 milhões, Deságio 50,55%, Investimento R$ 4,11 bilhões
- Lote 1 (BA/PB): Empresa Neoenergia, RAP ofertada R$ 59,85 milhões, Deságio 51,21%, Investimento R$ 493,1 milhões
- Lote 2 (SP/PR): Empresa EDP Transmissão, RAP ofertada R$ 26,53 milhões, Deságio 53,29%, Investimento R$ 317,0 milhões
- Lote 3 (GO/MS): Empresa Cymi Construções, RAP ofertada R$ 78,7 milhões, Deságio 57,08%, Investimento R$ 1,07 bilhão
- Lote 5 (RO): Empresa Cymi Construções, RAP ofertada R$ 96,4 milhões, Deságio 46,36%, Investimento R$ 982,5 milhões
- Lote 6 (SP): Empresa Cox Brasil, RAP ofertada R$ 37,85 milhões, Deságio 53,46%, Investimento R$ 480,3 milhões
- Lote 7 (PR): Empresa Neoenergia, RAP ofertada R$ 68 milhões, Deságio 38,55%, Investimento R$ 665,3 milhões
- Lote 8 (BA/GO): Empresa Celeo Redes, RAP ofertada R$ 66,66 milhões, Deságio 48,02%, Investimento R$ 753,2 milhões
Com informações da assessoria de imprensa (ABRATE).
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