IEA alerta que escalada entre EUA e Irã compromete superávit de petróleo em 2027
A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que a escalada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã pode anular a projeção de um superávit de 4,62 milhões de barris por dia (bpd) no mercado de petróleo em 2027. A tensão já impulsionou o preço do Brent para perto de US$ 80 por barril, ameaçando a estabilidade da oferta global e a fatura energética de países importadores.
A Agência Internacional de Energia (IEA) informou nesta segunda-feira (13/07) que a crescente hostilidade entre Estados Unidos e Irã ameaça a materialização de um superávit significativo no mercado global de petróleo, projetado anteriormente em 4,62 milhões de barris por dia (bpd) para 2027. A agência ressalta que a paralisação do tráfego de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz, que chegou a movimentar 14 milhões de bpd, e a revogação de licenças de venda de petróleo iraniano são os principais vetores de desestabilização.
A escalada das tensões, marcada pelo anúncio do Irã de fechamento do Estreito de Ormuz em resposta a bombardeios americanos e pela decisão do presidente Donald Trump de revogar a licença que permitia ao Irã vender petróleo no mercado aberto, impacta diretamente a oferta global. Essa interrupção nos fluxos e a retirada de volumes iranianos do mercado desestabilizam a expectativa de superávit de 4,62 milhões de bpd em 2027, um cenário que já considerava uma contração da oferta em 2026.
A reação do mercado foi imediata, com os preços do petróleo voltando a subir. O Brent, referência global, se aproxima dos US$ 80 por barril, negociado hoje a US$ 78,54. Ambos os contratos subiram mais de 5% após a declaração de Donald Trump de que o memorando de entendimento com o Irã estava “terminado”, refletindo a preocupação com a segurança do suprimento.
Para economias importadoras de combustíveis, como Moçambique, o cenário é de agravamento da fatura energética, pressão cambial e aumento dos custos de transporte, o que se traduz em maior inflação e desequilíbrio orçamentário. Esse quadro afeta diretamente o custo da energia na bomba e a competitividade industrial.
A IEA, que atua como assessora de nações industrializadas, já havia demonstrado sua preocupação com a estabilidade do mercado em março de 2026, ao concordar em liberar um recorde de 400 milhões de barris de petróleo de estoques estratégicos para combater o aumento dos preços causado pelo conflito. Esse precedente indica que novas liberações podem ser consideradas caso a escalada persista, embora com limites de efetividade a longo prazo para conter a alta.
Antes da recente escalada, a IEA projetava um aumento da oferta global de petróleo em 7,5 milhões de bpd em 2027, após uma contração de 3,7 milhões de bpd em 2026. A demanda global, por sua vez, deveria cair 1 milhão de bpd em 2026, antes de se recuperar e aumentar 2 milhões de bpd em 2027, culminando na expectativa do superávit de 4,62 milhões de bpd agora comprometido.
A normalização dos mercados de petróleo e a concretização do superávit previsto para 2027 dependem diretamente de um acordo de paz duradouro e da melhoria dos trânsitos pelo Estreito de Ormuz. O principal risco é a prolongada instabilidade no fornecimento global, que pode levar a um cenário de déficit, com pressões ainda maiores sobre os preços e a necessidade de revisão das estratégias de suprimento e segurança energética por parte das nações.
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