IRENA: 90% dos projetos renováveis em 2025 superaram fósseis em custo
Um relatório da IRENA, divulgado em 13 de julho de 2026, revela que mais de 90% dos empreendimentos renováveis que entraram em operação em 2025 entregaram energia a um custo inferior ao das usinas a combustíveis fósseis mais baratas. A constatação reforça a supremacia econômica das renováveis e pressiona por reavaliação de estratégias de investimento e adaptação regulatória global e no Brasil.
A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) aponta que a supremacia econômica das fontes limpas se consolidou em 2025, com mais de 90% dos projetos renováveis que entraram em operação naquele ano fornecendo energia a um custo inferior ao das usinas a combustíveis fósseis mais baratas. O relatório, divulgado em 13 de julho de 2026, reforça a tendência de queda contínua nos custos e a urgência de adaptação regulatória para a transição energética.
A análise da IRENA demonstra que a competitividade é impulsionada pela redução do Custo Nivelado de Energia (LCOE) da solar fotovoltaica e da eólica onshore. Em 2025, o LCOE médio global para solar fotovoltaica foi de US$ 44/MWh, enquanto para eólica onshore atingiu US$ 33/MWh. No Brasil, esses valores foram ainda menores, com a solar fotovoltaica a US$ 37/MWh (queda de 25%) e a eólica onshore a US$ 31/MWh (aumento de 3%), posicionando o país entre os mais competitivos globalmente.
Em contraste, o relatório mostra que o LCOE da geração a gás em mercados como Itália, Alemanha e Japão se aproximou de US$ 100/MWh em 2025. O investimento em novas usinas de ciclo combinado nos Estados Unidos, por exemplo, dobrou para US$ 2.400/kW. Essa disparidade sublinha a desvantagem crescente dos combustíveis fósseis, tornando as renováveis a opção mais atraente para a expansão da capacidade de geração.
A queda nos custos das baterias é um fator transformador para a viabilidade das renováveis, especialmente as intermitentes. O custo das baterias de escala de utilidade pública de quatro horas caiu quase 30% em 2025, chegando a aproximadamente US$ 140/kWh, uma redução de cerca de 95% desde 2010. Essa tendência levou a que, em 2025, cerca de um quarto de toda a nova capacidade solar em escala de utilidade pública fosse combinada com sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), mitigando a intermitência e garantindo maior firmeza.
A expansão das energias renováveis gerou uma economia global estimada de US$ 480 bilhões em custos com combustíveis fósseis em 2025, além de evitar a emissão de 8,4 gigatoneladas de CO₂. O Brasil se destacou nesse cenário, economizando US$ 32 bilhões e prevenindo 432 milhões de toneladas de CO₂, o que o posiciona como o terceiro país com maior economia. A maior penetração de renováveis de baixo custo sugere um potencial de redução da pressão sobre as tarifas de energia a longo prazo e pode influenciar o PLD, potencialmente reduzindo-o em períodos de alta geração.
Os dados da IRENA exigem que investidores e gestores de ativos reavaliem seus portfólios, priorizando projetos renováveis e soluções híbridas com armazenamento. Traders de energia precisam incorporar a análise de custos renováveis e armazenamento em suas estratégias, dada a influência potencial no PLD e na curva forward. Reguladores, como a ANEEL, recebem um forte embasamento para formular políticas que incentivem a transição energética e otimizem a inserção dessas fontes mais baratas.
Contudo, o relatório aponta um aumento nos custos de tecnologias renováveis despacháveis, como hidrelétrica (US$ 62/MWh), geotérmica (US$ 89/MWh) e solar concentrada (US$ 115/MWh), impulsionado pela menor produção. Essa tendência pode gerar tensões no planejamento da matriz energética, exigindo que reguladores e planejadores busquem soluções para garantir a segurança e a firmeza do sistema, mesmo com a crescente participação de fontes intermitentes de baixo custo.
Embora o relatório da IRENA seja um documento analítico crucial para informar o debate público e subsidiar a formulação de políticas, ele não estabelece normas legais ou regulatórias, nem define datas de vigência ou regras de transição. A materialização dos benefícios no Brasil dependerá da efetiva implementação de políticas locais que incentivem a expansão das renováveis e a modernização da rede, superando desafios regulatórios que, historicamente, já frearam o avanço de certas tecnologias.
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