ONS projeta alta da carga e queda de reservatórios para julho, sinalizando aperto no SIN
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou suas projeções para julho de 2026, elevando a expectativa de crescimento da carga de energia para 2,3% e reduzindo o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste para 64,3% da capacidade ao final do mês. O cenário de maior demanda e menor afluência hídrica indica um aperto no balanço energético do Sistema Interligado Nacional (SIN), com potencial pressão altista sobre o Custo Marginal de Operação (CMO) e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou em 10 de julho de 2026 uma revisão de suas projeções para o mês corrente, apontando para um cenário de maior demanda por energia e níveis mais baixos nos reservatórios. A expectativa de crescimento da carga de energia no Brasil foi elevada para 2,3%, atingindo 78.009 MW médios, superando a previsão anterior de 1,7%.
Em paralelo, a projeção para o nível dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o mais relevante do país, foi ajustada para 64,3% da capacidade ao final de julho, uma queda em relação aos 65,6% estimados na semana anterior. As previsões de Energia Natural Afluente (ENA) também foram ajustadas para baixo, com o Sudeste/Centro-Oeste passando de 97% para 92% da média histórica e o Nordeste de 62% para 61%.
A combinação de uma demanda de energia mais aquecida e uma menor disponibilidade hídrica tende a exigir um maior despacho de usinas termelétricas. Este acionamento de fontes mais caras é o principal fator para a elevação do Custo Marginal de Operação (CMO) do sistema, especialmente nos submercados com maior dependência hidrelétrica, como o Sudeste/Centro-Oeste, onde o ONS ajusta a programação para garantir a segurança do suprimento.
A pressão altista sobre o CMO, decorrente do cenário de maior carga e hidrologia menos favorável, impacta diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para julho, com reflexos na curva forward de preços de energia para os próximos meses. Em 13 de julho de 2026, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste registravam 64,88% da capacidade, ligeiramente acima da projeção de fechamento do mês.
Agentes do Ambiente de Contratação Livre (ACL) com posições descontratadas ou que dependem do mercado de curto prazo para fechar seu balanço energético podem enfrentar custos mais elevados. Geradores termelétricos e comercializadores com contratos de energia flexíveis tendem a se beneficiar de um cenário de maior despacho e PLD elevado, enquanto consumidores livres e comercializadores com posições compradas no mercado de curto prazo podem ver seus custos aumentarem.
A redução nas projeções de ENA e nos níveis de reservatórios aumenta o risco hidrológico para o sistema e, em particular, para os geradores hidrelétricos expostos ao GSF (Fator de Ajuste do Mecanismo de Realocação de Energia). Este cenário pode agravar a necessidade de compra de energia no mercado de curto prazo para cobrir o déficit de garantia física, elevando os custos operacionais do sistema como um todo, que podem ser repassados via encargos ou bandeiras tarifárias.
As projeções divulgadas pelo ONS, por meio do Programa Mensal de Operação (PMO), são válidas especificamente para o mês de julho de 2026 e servem como um cenário operacional. Diferentemente de decisões regulatórias, este relatório não estabelece novas regras ou limites, nem implica em datas de vigência, sendo um monitoramento contínuo da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e revisado semanalmente para incorporar dados atualizados.
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