CNPE retoma estudos para hidrelétricas reversíveis e mira 38 GW de armazenamento
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou diretrizes para o desenvolvimento e contratação de sistemas de armazenamento hidráulico, um movimento que visa integrar a crescente geração de fontes renováveis intermitentes à rede elétrica brasileira. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já estrutura um plano para a tecnologia, que a Abrage estima poder viabilizar ao menos 38 gigawatts (GW) de capacidade de armazenamento no país.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do governo brasileiro voltou a priorizar as usinas hidrelétricas reversíveis como uma solução para o armazenamento de energia elétrica no país. Em resoluções aprovadas no início de abril, o conselho estabeleceu diretrizes para o desenvolvimento e a contratação desses sistemas, que permitem armazenar o excedente de potência gerada e utilizá-lo em períodos de maior demanda ou menor oferta de outras fontes.
Essa iniciativa é crucial diante da rápida expansão de fontes renováveis, como a eólica e a solar, que, embora limpas, apresentam geração variável e não controlável. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já estrutura um plano detalhado sobre o tema, com publicação prevista para os próximos meses, buscando aumentar a flexibilidade e a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A tecnologia das usinas reversíveis, que bombeia água de um reservatório inferior para um superior em momentos de excedente de energia e a libera para gerar eletricidade quando há escassez, é vista como a rota mais madura para o armazenamento em larga escala. Segundo a Abrage, associação que reúne grandes geradoras, o potencial de armazenamento hidráulico no Brasil pode atingir ao menos 38 GW, o equivalente a 15% da potência instalada atual do país.
Globalmente, os sistemas de armazenamento hidráulico por bombeamento (SAEH) já respondem por mais de 90% da capacidade total de armazenamento de energia em operação, totalizando cerca de 189 GW em 2024, conforme levantamento do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ. China e Estados Unidos lideram os investimentos nessa área, com projeções de alcançar 120 GW até 2030 e 57 GW até 2050, respectivamente.
Marisete Dadald, presidente da Abrage, enfatiza a urgência de flexibilidade para o Brasil, citando o “curtailment” – os cortes de geração em momentos de excesso de oferta de fontes renováveis. Ela destaca as vantagens do armazenamento hidráulico de longa duração para o país, que já conta com 110 GW de capacidade hidrelétrica instalada, uma geografia favorável e uma indústria apta a produzir os equipamentos necessários.
Historicamente, o Brasil já operou hidrelétricas reversíveis, como Pedreira (1939), Traição (1940) e Edgard de Souza (1955) em São Paulo, e Vigário (1952) no Rio de Janeiro. Contudo, a vasta participação das hidrelétricas convencionais na matriz energética postergou a necessidade de armazenamento, resultando na desativação de uma e na não operação das demais em modo reversível. A atual retomada do interesse reflete a profunda mudança no perfil da matriz energética nacional.
As resoluções do CNPE estabelecem a realização de leilões e outros mecanismos para a contratação desses empreendimentos, com contratos de concessão de no mínimo 30 anos. A definição dos requisitos técnicos será conduzida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com o apoio da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da EPE, consolidando o arcabouço regulatório para a implementação dessa tecnologia.
Nivalde de Castro, coordenador do Gesel, explica que o edital dos leilões deverá se inspirar no modelo de reserva de capacidade para usinas termelétricas. Ele prevê que serão estabelecidos a capacidade de geração das unidades reversíveis, o tempo de descarga e um preço-teto por megawatt (MW), garantindo a remuneração pela disponibilidade da potência.
A tecnologia das hidrelétricas reversíveis oferece uma vida útil de 80 a 100 anos, superando significativamente os 15 anos das baterias químicas (BESS – Battery Energy Storage Systems), e é capaz de entregar energia por períodos muito mais longos. Em seus estudos, a EPE considera uma diversidade de configurações e tamanhos de projetos, incluindo a adaptação de reservatórios existentes e a construção de circuitos fechados, que minimizam os impactos ambientais.
Desde 2019, o estado do Rio de Janeiro serve como projeto-piloto para a EPE, com 15 locais identificados para estudos, abrangendo municípios como Natividade, Varre-Sai, Bom Jesus do Itabapoana, Carmo, Duas Barras, Sumidouro e Trajano de Moraes. A escolha se deu por características como a localização próxima a grandes centros de consumo e a dimensão territorial reduzida, o que permite uma análise controlada para futuras expansões em escala nacional.
Os próximos passos incluem a publicação do plano detalhado da EPE e a célere definição dos requisitos técnicos e do desenho de mercado por MME, ANEEL e ONS. A agilidade é crucial, como alerta a Abrage, pois estudos de viabilidade e a construção de novas usinas podem demandar pelo menos quatro anos. É fundamental que haja celeridade para que os investimentos se concretizem e a flexibilidade necessária chegue ao sistema elétrico brasileiro em tempo hábil.
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Matéria redigida pela redação IA do Radar Energia a partir do documento da fonte. Consulte o original para validação técnica e jurídica.
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