Brasil: 90% de energia limpa, mas subsídios e rede elétrica desafiam transição energética
O Brasil ostenta uma matriz elétrica com 90% de fontes renováveis, um trunfo estratégico para a economia de baixo carbono, conforme estudo da Coalizão do Setor Elétrico. No entanto, para consolidar sua liderança na transição energética, o país precisa superar desafios como a modernização das redes e a revisão de subsídios, que devem alcançar R$ 58 bilhões em 2025.

O Brasil possui uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis, um patamar significativamente superior à média global de 40%. Essa característica o posiciona como um potencial protagonista na economia de baixo carbono. Essa vantagem estratégica, denominada "bônus verde", é detalhada em um estudo da Coalizão do Setor Elétrico. O levantamento aponta o país como um indutor da transição energética global, mas ressalta a necessidade de superar desafios estruturais.
Divulgado pela ABRADEE (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) e publicado originalmente na CNN Brasil, o levantamento da Coalizão do Setor Elétrico foi elaborado por uma iniciativa liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com curadoria técnica da PSR Soluções e Consultoria em Energia. O estudo reúne dados e projeções para analisar como o país pode utilizar sua matriz limpa para acelerar o crescimento econômico, reduzir emissões e promover a inclusão social. Apresentado na COP30, em Belém, o trabalho marca um ponto de virada nas discussões sobre o tema.
A eletrificação da economia é um dos pilares para o Brasil consolidar sua posição, com o consumo elétrico projetado para dobrar até 2050. Esse movimento é decisivo para que setores atualmente intensivos em carbono, como transporte e parte da indústria, substituam processos baseados em combustíveis fósseis. O estudo estima que, mesmo com o aumento da demanda, é possível manter 90% de renovabilidade na matriz e contribuir com até 176 milhões de toneladas de CO2 anualmente para a descarbonização do país.
Para suportar a eletrificação e a expansão das fontes renováveis, a infraestrutura de distribuição de energia exigirá investimentos robustos. As distribuidoras de energia preveem aplicar R$ 235 bilhões até 2029, recursos destinados à modernização e digitalização das redes. Essa injeção de capital visa garantir que as redes se tornem mais flexíveis, resilientes e aptas a integrar a geração distribuída, além de lidar com os eventos climáticos extremos, que se tornam cada vez mais frequentes.
Apesar do potencial, o estudo alerta para dois riscos claros que podem comprometer a transição energética: a perda da renovabilidade da matriz e a ampliação das distorções tarifárias. A questão dos subsídios na conta de luz é um ponto sensível, com os encargos projetados para atingir um recorde histórico de mais de R$ 58 bilhões em 2025. Desse total, cerca de R$ 16 bilhões foram direcionados à geração distribuída. A ABRADEE, patrocinadora master do estudo, destaca a urgência de reformar o ambiente regulatório.
Esses custos já representam uma parcela relevante da fatura de energia e ajudam a explicar por que a eletricidade consome, em média, cerca de 18% do orçamento das famílias brasileiras. A correção desse desequilíbrio regulatório é essencial, segundo o estudo, para garantir que a transição energética seja justa, acessível e não amplie as desigualdades sociais e econômicas, mantendo o apelo de custo-benefício da energia limpa.
O "bônus verde" do Brasil, com sua matriz majoritariamente limpa e competitiva em custo, pode atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar o crescimento econômico, industrial e social. Em um cenário global de busca por descarbonização sem perda de produtividade, esse diferencial ganha peso estratégico, posicionando o país para uma liderança efetiva na economia de baixo carbono, desde que as escolhas certas sejam feitas.
Para destravar plenamente esse potencial, a capacidade de transformar dados e projeções em ações concretas será decisiva. A eletrificação em larga escala da economia, a expansão e modernização das redes elétricas, a revisão dos subsídios e a atualização do ambiente regulatório são decisões que precisam avançar de forma coordenada, sem ampliar as desigualdades, para que a transição energética brasileira alcance o sucesso esperado.
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Matéria redigida pela redação IA do Radar Energia a partir do documento da fonte. Consulte o original para validação técnica e jurídica.
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