Consumo de eletricidade cresce 2,6% no 2T2026, aponta EPE
O consumo nacional de energia elétrica avançou 2,6% no segundo trimestre de 2026, impulsionado por residências e comércio, enquanto o Ambiente de Contratação Livre (ACL) segue em expansão, mas enfrenta um novo cenário de custos com o fim de descontos e o rateio de Angra 1 e 2.
O consumo nacional de energia elétrica cresceu 2,6% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, conforme o Boletim Trimestral do Consumo de Eletricidade da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A expansão foi impulsionada principalmente pela classe residencial, que cresceu 5,8%, e pelo consumo comercial, que avançou 4,9%. O consumo industrial, por sua vez, variou positivamente 0,2%, interrompendo uma sequência de três trimestres de queda.
O Ambiente de Contratação Livre (ACL) impulsionou esse crescimento, com expansão de 3,4% no consumo e respondeu por 45,7% do total nacional no período. O número de consumidores no mercado livre aumentou 21,5% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) cresceu 2,0%. No entanto, esse cenário de expansão do ACL passa por uma reconfiguração a partir deste ano, com o fim dos descontos para energia incentivada em novos contratos e aumentos de demanda, e pela Lei 15.269/2025, que prevê o rateio dos custos das usinas nucleares Angra 1 e 2 entre todos os consumidores, via CCEE, a partir de janeiro de 2027.
Essas mudanças alteram a composição de custos e a atratividade para novos entrantes no mercado livre, impactando as estratégias de contratação. Consumidores do ACL que já possuem contratos com energia incentivada mantêm o benefício, mas novos participantes ou expansões de demanda enfrentarão custos mais elevados. O crescimento consistente da demanda, especialmente no ACL, tende a exercer pressão sobre o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que no Sudeste/Centro-Oeste está em R$ 129,22/MWh (média até 22/09/2026, segundo a CCEE), e sobre a curva forward de energia, e sinaliza a necessidade de maior oferta. As Resoluções Normativas ANEEL nº 1.161/2026 e nº 1.162/2026, que regulamentam os Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica, também abrem caminho para novas tecnologias que podem trazer flexibilidade operacional e otimizar o despacho no futuro.
A recuperação do consumo industrial, mesmo que modesta, e a contínua migração para o ACL, alinhadas às projeções de crescimento médio anual de carga do SIN de 4,5% até 2030, conforme a 2ª Revisão Quadrimestral da EPE, ONS e CCEE, reforçam a tendência de expansão da demanda. Contudo, para os consumidores do ACL, o fim dos descontos e a iminente inclusão dos custos de Angra 1 e 2 introduzem um risco de aumento nos custos de contratação e na fatura final, exigindo uma gestão de contratos mais ativa e sofisticada. A economia inicialmente esperada com a migração para o mercado livre pode ser menor do que a projetada anteriormente, especialmente para novos entrantes ou para aqueles que precisam expandir sua demanda.
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