Copel vende participação na UHE Dona Francisca à Gerdau por R$ 150 milhões
A Copel finalizou a venda de sua fatia de 23,03% na Usina Hidrelétrica (UHE) Dona Francisca para a Gerdau por R$ 150 milhões. A transação consolida o controle total da siderúrgica sobre o empreendimento, que agora detém 100% da Dona Francisca Energética S.A. (DFESA), reforçando sua estratégia de autoprodução de energia.

A Copel anunciou nesta segunda-feira a venda de sua participação de 23,03% na Usina Hidrelétrica (UHE) Dona Francisca para a Gerdau, em uma transação de R$ 150 milhões. O pagamento será feito em parcela única no fechamento da operação, conforme comunicado ao mercado pela companhia paranaense de energia.
Com a aquisição, a Gerdau, uma das maiores produtoras de aço do mundo, passa a deter 100% do capital social da Dona Francisca Energética S.A. (DFESA), empresa que opera a usina. A siderúrgica já detinha 76,97% da DFESA desde abril, quando comprou a participação da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), e agora consolida os 23,03% restantes por meio de um Contrato de Compra e Venda de Ações (CCVA).
A UHE Dona Francisca é uma usina de médio porte localizada às margens do Rio Jacuí, entre os municípios de Agudo e Nova Palma, no Rio Grande do Sul. Sua estrutura conta com potência instalada de 125 MW, distribuída em duas unidades geradoras, e possui uma garantia física anual de 635.100 MWh.
Para a Copel, a venda está alinhada à sua estratégia de otimização do portfólio e simplificação da estrutura societária, com foco na concentração de investimentos em ativos de maior porte. Esse movimento faz parte de uma diretriz intensificada após sua recente privatização, em agosto de 2023, visando maior rentabilidade e eficiência como companhia de capital aberto.
A Gerdau, por sua vez, consolida sua posição como autoprodutora de energia, reforçando sua estratégia de verticalização e garantia de suprimento energético. A previsibilidade de custos é crucial para o setor siderúrgico, intensivo em energia, e a autoprodução oferece maior controle sobre os insumos, reduzindo a exposição à volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mercado livre.
A movimentação da Gerdau segue um precedente comum no setor industrial brasileiro, onde grandes consumidores de energia, como empresas de mineração (a exemplo da Vale), papel e celulose (como Suzano e Klabin) e petroquímica (Braskem), investem em ativos de geração própria. O objetivo é assegurar o suprimento, otimizar custos e mitigar riscos de mercado, aproveitando as vantagens do Ambiente de Contratação Livre (ACL).
Para ser efetivada, a transação está sujeita à anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A ANEEL avaliará a conformidade regulatória da transferência da participação acionária e da concessão, enquanto o CADE analisará possíveis impactos concorrenciais no mercado de energia.
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