ANP aprova plano de Gato do Mato (Shell) e exige solução para escoamento de gás até 2032
A ANP aprovou nesta sexta-feira (7) o Plano de Desenvolvimento da jazida de Gato do Mato, operada pela Shell, impondo a condição de que a empresa apresente uma solução definitiva para o escoamento e a comercialização do gás natural até o final de 2032. A medida alinha o projeto à política energética nacional de maior aproveitamento do gás do pré-sal, que inicialmente previa a reinjeção total da produção a partir de 2029.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta sexta-feira (7) o Plano de Desenvolvimento da jazida compartilhada de Gato do Mato, operada pela Shell. A aprovação veio com uma condicionante crucial para o aproveitamento do gás natural: a agência exigiu que a operadora apresente, até 31 de dezembro de 2032, uma revisão detalhando a solução definitiva para o escoamento e a comercialização do gás, alinhando o projeto à política energética brasileira de aumentar a oferta do insumo.
O plano original da Shell para Gato do Mato, com início de operações comerciais previsto para 2029 e capacidade para produzir até 120 mil barris de petróleo por dia, contemplava a reinjeção de todo o gás associado, sem um prazo estabelecido para reavaliação do escoamento. A decisão da ANP, aprovada por unanimidade pela Diretoria Colegiada, visa garantir que o gás não seja indefinidamente reinjetado, mas sim direcionado ao mercado doméstico em um horizonte definido.
A Shell, operadora com 50% de participação, e os parceiros Ecopetrol (30%) e Kufpec (20%) serão os responsáveis por elaborar e implementar a revisão. Tal exigência pode implicar em planejamento adicional e investimentos em infraestrutura de escoamento e tratamento. A medida reforça a diretriz do Governo Federal, via Ministério de Minas e Energia (MME), de ampliar a oferta de gás natural ao mercado, em consonância com os objetivos da Nova Lei do Gás (Lei 14.134/2021) para estimular a competitividade e a oferta do insumo.
A área técnica da ANP recomendou o prazo de 2032 para a revisão, considerando que o ponto ótimo para o início do escoamento do gás se situa entre 2035 e 2040, e a disponibilidade da Rota 2 para escoamento somente a partir de 2038. Essa perspectiva de volume adicional de gás nacional a partir de meados da próxima década pode contribuir para a diversificação das fontes de suprimento, aumentar a concorrência e, a longo prazo, impactar os preços do insumo para a indústria e os custos de geração termelétrica.
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