Cosan formaliza venda de R$ 1,85 bilhão em terras da Radar; S&P rebaixa rating da holding
A Cosan formalizou a venda de 41,2 mil hectares da subsidiária Radar no Mato Grosso por R$ 1,85 bilhão, com a holding esperando receber R$ 586 milhões. A operação, que visa desalavancagem e simplificação de portfólio, foi comunicada um dia depois de a S&P Global Rating rebaixar a nota de crédito da companhia, citando fragilidade na estrutura financeira.
A Cosan (CSAN3) comunicou ao mercado a formalização da venda de aproximadamente 41,2 mil hectares físicos, dos quais 28 mil são agricultáveis, pertencentes à sua subsidiária Radar no Mato Grosso. A transação totaliza R$ 1,85 bilhão, com a participação indireta da Cosan somando R$ 586 milhões. As propriedades, destinadas majoritariamente ao cultivo de soja, milho e algodão, representam cerca de 12% do portfólio de terras agrícolas da Radar.
Os adquirentes são a SLC Agrícola, o Grupo Bom Futuro e o produtor rural Alexandre Jacques Bottan, que exerceram seu direito de preferência. A alienação é um movimento estratégico da Cosan para reduzir sua alavancagem financeira e simplificar o portfólio, reforçando a liquidez da holding com a entrada de caixa esperada de R$ 586 milhões.
Contudo, a notícia da formalização da venda foi divulgada um dia depois de a S&P Global Rating rebaixar a nota de crédito da Cosan de BB- para B+ em 8 de julho de 2026. A agência justificou a decisão pela fragilidade da estrutura financeira da holding, alertando que, embora desinvestimentos possam reduzir a alavancagem no curto prazo, eles podem enfraquecer a diversificação dos negócios e a capacidade futura de geração de dividendos.
A conclusão da alienação das propriedades do Grupo Radar, ou "closing", está prevista para ocorrer até 30 de outubro de 2026, condicionada ao cumprimento de condições precedentes usuais para transações no agronegócio. Para a SLC Agrícola, um dos principais compradores, o pagamento será dividido em duas parcelas: R$ 255,15 milhões na assinatura e o saldo remanescente até a data de fechamento da operação.
A transação com a SLC Agrícola envolveu a aquisição de 8,9 mil hectares agricultáveis, incluindo infraestrutura, por R$ 669,04 milhões. O valor da terra nua útil/agricultável para a SLC foi de aproximadamente R$ 72 mil por hectare, um indicativo do valor de mercado para ativos produtivos no Mato Grosso, um dos principais estados produtores de grãos e fibras do Brasil.
Adicionalmente, um novo contrato de arrendamento de 2,5 mil hectares com a Santa Maria Holding Ltda., ligada a Alexandre Jacques Bottan, terá início após o término do arrendamento atual, ao final da safra 2026/2027. Este arranjo demonstra a continuidade de parte da relação comercial com os arrendatários que exerceram o direito de preferência.
A divulgação do Fato Relevante pela Cosan, em conformidade com a Resolução CVM nº 44, marca a assinatura dos acordos definitivos, representando um avanço significativo na estratégia de desinvestimentos da companhia. O processo evoluiu a partir de um compromisso de venda previamente divulgado em 17 de junho de 2026, culminando agora na formalização da alienação.
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