Atraso do Centena eleva risco de esgotamento de depósitos de rejeitos em Angra 1 até 2028
O relatório do Orçamento da União 2026 aponta o atraso crítico na implantação do Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental (Centena), repositório definitivo para rejeitos de baixa e média atividade. O documento projeta um risco de esgotamento da capacidade de armazenamento da usina Angra 1 até 2028. Diante do cenário, a Eletronuclear propõe alternativas paliativas para otimizar os depósitos existentes, enquanto a CNEN, responsável pela solução definitiva, não avança com o projeto.
O relatório do Orçamento da União 2026 acende um alerta sobre a gestão de rejeitos nucleares no Brasil, destacando o atraso na construção do Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental (Centena) e a precariedade dos depósitos provisórios sob responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O documento projeta um risco iminente de esgotamento da capacidade de armazenamento de rejeitos de baixa e média atividade da usina Angra 1 já em 2028.
Concebido como o primeiro repositório definitivo da América Latina, o Centena é projetado para abrigar 60.000 m³ de materiais com meia-vida limitada a 30 anos, oferecendo uma solução permanente para o passivo radioativo do país. Contudo, o projeto, com previsão de início em 2026 e conclusão em 2030, encontra-se estagnado: em junho deste ano, não havia cronograma definido, projeto executivo concluído ou processo de licenciamento ambiental e nuclear iniciado.
Diante da inércia do Centena, a Eletronuclear apresentou propostas para otimizar e ampliar a capacidade dos depósitos atuais na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis. As alternativas incluem a reorganização dos espaços existentes, que dispensaria novo licenciamento, e a construção de um novo galpão, que demandaria licenças nuclear e ambiental. Medidas adicionais visam a redução volumétrica dos rejeitos por compactação e descontaminação.
A Eletronuclear estabeleceu 2028 como data-limite para que a CNEN apresente uma solução definitiva. Caso não ocorra, a operadora das usinas nucleares buscará implementar alternativas no próprio terreno da central. As propostas da Eletronuclear estão sob avaliação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), que analisa a segurança e os ajustes operacionais à luz do arcabouço regulatório vigente.
A Lei 10.308/2001 atribui à CNEN a responsabilidade exclusiva pela deposição de rejeitos radioativos no Brasil, colocando a agência no centro da solução para o impasse. A falta de avanço no Centena força a Eletronuclear, operadora de Angra 1 e 2, a buscar paliativos para garantir a continuidade das operações, que hoje respondem por 3% da geração elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Os depósitos atuais na CNAAA possuem uma capacidade estimada de 3.500 m³, com previsão de atingir o limite entre 2030 e 2031. Esse prazo, que se aproxima rapidamente, reforça a urgência na implementação de um repositório definitivo ou na ampliação substancial das capacidades provisórias para evitar impactos na operação das usinas e, por extensão, na segurança do suprimento elétrico nacional.
A ANSN, por sua vez, aprovou sua Agenda Regulatória 2026-2027 em 26 de junho, com 19 iniciativas normativas para fortalecer a segurança nuclear, incluindo o licenciamento de instalações e a operação a longo prazo. Esse esforço regulatório é crucial para a avaliação das soluções propostas para Angra, mas o órgão enfrenta desafios orçamentários e de pessoal que podem impactar sua capacidade de resposta a essa demanda urgente.
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