Banco Mundial e AIEA Fortalecem Parceria para Financiar Energia Nuclear em Países em Desenvolvimento
O Grupo Banco Mundial (GBM) formalizou uma parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para financiar projetos de energia nuclear em países em desenvolvimento, encerrando uma proibição de décadas ao setor. A colaboração visa impulsionar o conhecimento nuclear, apoiar a extensão da vida útil de reatores existentes e acelerar a implantação de Reatores Modulares Pequenos (SMRs) para atender à crescente demanda por eletricidade.
O Grupo Banco Mundial (GBM) reverteu sua política de décadas e agora financiará projetos de energia nuclear em países em desenvolvimento, oficializando uma parceria estratégica com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A colaboração, cujos progressos foram atualizados em 8 de julho de 2026, visa à construção de expertise nuclear, ao apoio à operação segura de usinas existentes e à aceleração do desenvolvimento e implantação de Reatores Modulares Pequenos (SMRs).
A mudança de postura do Banco Mundial, aprovada por seu conselho em meados de junho de 2025, e o acordo de parceria assinado em 26 de junho de 2025, refletem uma reavaliação global da energia atômica como componente essencial para a eletrificação e descarbonização. A iniciativa alinha-se a uma abordagem mais ampla do GBM para a eletrificação, priorizando acesso, acessibilidade, confiabilidade e gestão responsável das emissões no contexto da transição energética.
A parceria estrutura-se em três pilares principais. O primeiro foca na construção de conhecimento nuclear dentro do próprio Grupo Banco Mundial, capacitando a instituição para avaliar e apoiar projetos de forma mais eficaz. O segundo pilar visa o apoio à extensão segura da vida útil de reatores nucleares já em operação, um aspecto crucial para países que dependem dessa fonte de base.
O terceiro e talvez mais disruptivo pilar é a aceleração do desenvolvimento e da implantação de Reatores Modulares Pequenos (SMRs). Essas tecnologias são consideradas uma solução promissora para a lacuna energética, oferecendo flexibilidade e menor escala de investimento em comparação com grandes usinas, o que facilita sua integração em redes elétricas de países em desenvolvimento.
Os principais beneficiários dessa iniciativa são os países em desenvolvimento, especialmente aqueles que já operam usinas nucleares e buscam modernizar ou estender sua operação, ou os que consideram a energia atômica como parte de sua estratégia de descarbonização e para atender à crescente demanda por eletricidade. A parceria também fortalece a capacidade interna do Banco Mundial em planejamento energético e estruturas regulatórias.
A AIEA fornecerá sua vasta experiência técnica e padrões internacionais para segurança, proteção e não proliferação nuclear, garantindo que os projetos apoiados sigam as melhores práticas globais. Governos, reguladores e operadores nacionais terão o desafio de desenvolver estruturas legais e regulatórias robustas, além de capital humano qualificado, para aproveitar o novo cenário de financiamento.
A demanda por eletricidade em países em desenvolvimento deve mais que dobrar até 2035, exigindo um aumento do investimento anual em geração de US$ 280 bilhões para US$ 630 bilhões. A energia nuclear, caracterizada como fonte de base contínua e de baixo carbono, pode melhorar significativamente a estabilidade e a resiliência das redes elétricas em expansão, contribuindo para a segurança energética e as metas climáticas.
A participação de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDBs), como o Banco Mundial, é crucial para reduzir o risco de financiamento e conferir credibilidade a programas nacionais que visam à implantação de SMRs e à modernização das redes. Embora o impacto direto em tarifas e encargos não tenha sido quantificado no anúncio, o acesso a capital de longo prazo e a expertise técnica tendem a baratear o custo final da energia para o consumidor.
A formalização dessa parceria marca um reengajamento estratégico e operacional do Grupo Banco Mundial com a energia nuclear, após anos de afastamento. Essa medida sinaliza uma nova era para o financiamento de projetos atômicos, reconhecendo seu papel vital na matriz energética global, especialmente diante da urgência climática e da necessidade de fontes firmes e limpas.
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