Sudeste Asiático pode triplicar conta de importação de energia até 2035, alerta IEA
A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a conta de importação de combustíveis fósseis do Sudeste Asiático pode disparar de US$ 80 bilhões para US$ 245 bilhões até 2035, caso a região não implemente mudanças estruturais em suas políticas energéticas. O cenário é de forte crescimento da demanda e pressão sobre a segurança energética.
A Agência Internacional de Energia (IEA) publicou o resumo executivo de seu Panorama Energético do Sudeste Asiático 2026, alertando para um aumento expressivo na conta de importação de energia da região. Sem mudanças estruturais nas políticas atuais, o custo com a compra de combustíveis fósseis pode saltar de mais de US$ 80 bilhões em 2024 para cerca de US$ 245 bilhões até 2035, o que representa um triplicar da despesa em pouco mais de uma década.
O relatório da IEA aponta que o Sudeste Asiático projeta um crescimento robusto na demanda por energia, contribuindo com quase 20% do aumento global até 2035 sob as políticas atuais. A demanda por eletricidade na região cresce duas vezes mais rápido que o consumo total de energia, intensificando a pressão sobre a infraestrutura e a segurança energética regional. A implementação total dos compromissos climáticos anunciados pelos países da região, contudo, poderia reduzir essa conta de importação pela metade em 2035, aliviando a pressão econômica.
Diante desse cenário, a IEA insta os governos do Sudeste Asiático a reavaliarem suas estratégias de política e investimento, priorizando a segurança energética e fortalecendo a segurança coletiva através de acordos coordenados de estoque e resposta a emergências. É crucial expandir as conexões transfronteiriças via Rede Elétrica da ASEAN para equilibrar oferta e demanda, integrar renováveis e melhorar a flexibilidade do sistema, reduzindo custos.
Embora o investimento em energia limpa na região tenha crescido 60% desde 2015, superando US$ 100 bilhões em 2025, ele ainda representa apenas 3% do investimento global em energia, enquanto a região concentra 9% da população mundial. Para atingir as metas climáticas e de segurança energética, o investimento em energia limpa precisa quase dobrar na próxima década. Atualmente, o carvão ainda responde por cerca de metade da geração de eletricidade no Sudeste Asiático, mas fontes de baixa emissão podem alcançar 50% da geração até 2035 e 90% até 2050, caso os compromissos climáticos sejam plenamente implementados.
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