Fórum Econômico Mundial: Transição energética global desacelera com foco em segurança
O Energy Transition Index (ETI) 2026 aponta uma fragmentação e desaceleração do progresso global da transição energética, com a 'prontidão' em declínio pela primeira vez em uma década, apesar de investimentos recordes. Tensões geopolíticas reorientaram as prioridades para segurança, resiliência e acessibilidade, com a segurança energética global registrando piora em 74 economias.
O progresso global da transição energética está fragmentado e em desaceleração, apesar de investimentos recordes, aponta o Energy Transition Index (ETI) 2026, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em colaboração com a Accenture. Pela primeira vez em mais de uma década, a 'prontidão para a transição' global registrou um declínio de 0,76%, o que sinaliza um enfraquecimento das condições habilitadoras para o avanço futuro do setor.
Apesar da queda na prontidão, o investimento em energia atingiu um recorde de US$ 3,3 trilhões em 2025, dos quais US$ 2,3 trilhões foram direcionados para tecnologias limpas. Contudo, o relatório destaca um descompasso entre o capital alocado e o progresso efetivo, com o desempenho geral do sistema energético melhorando marginalmente em apenas 0,43% no período analisado.
A principal reorientação de prioridades na transição energética reside na centralidade da segurança, resiliência e acessibilidade nos princípios de design dos sistemas. Essa mudança é impulsionada por tensões geopolíticas, como a interrupção no Estreito de Ormuz no início de 2026, que expôs vulnerabilidades e forçou economias importadoras a escolhas difíceis e aumentos nos preços de petróleo e gás.
A segurança energética foi a única dimensão de desempenho do sistema a declinar no ETI 2026, com a pontuação média global caindo 0,9%. O impacto foi generalizado: 74 das 120 economias avaliadas registraram deterioração nesse quesito, evidenciando a fragilidade das cadeias de suprimentos e a dependência de fontes externas em um cenário de instabilidade.
O "trilêmma energético" – a busca simultânea por segurança, acessibilidade e sustentabilidade – tornou-se ainda mais desafiador. Apenas 24% dos países avaliados conseguiram avançar nas três dimensões ao mesmo tempo, o que ressalta a complexidade de equilibrar objetivos frequentemente conflitantes em um ambiente global volátil.
A demanda global por eletricidade cresceu 3,0% em 2025, após um aumento de 4,4% em 2024, impulsionada pela eletrificação crescente, necessidades de refrigeração, a expansão da infraestrutura digital e o avanço da inteligência artificial (IA). As economias emergentes responderam por cerca de 80% desse crescimento, o que gera pressões significativas sobre a estabilidade do sistema e a necessidade de lastro.
O relatório, publicado em 18 de junho de 2026, não estabelece regras ou prazos impositivos, mas serve como instrumento de análise e benchmarking para formuladores de políticas, investidores e empresas do setor. O documento recomenda que os governos fortaleçam a segurança e a resiliência desde o início dos projetos e acelerem a expansão da rede elétrica, restaurando a atratividade de investimentos por meio de políticas estáveis.
Para investidores, a orientação é direcionar capital para a implantação rápida de soluções existentes e a integração de ativos, incorporando segurança e resiliência em seus projetos. Já as empresas de energia devem focar na diversificação do fornecimento, na produção doméstica e na resiliência da infraestrutura e das cadeias de suprimentos, explorando o potencial da IA para gerenciar a demanda e otimizar portfólios.
A falta de 'prontidão para a transição', aliada aos gargalos de infraestrutura e à dificuldade de integrar novas capacidades, sugere pressões sobre os custos de energia. Interrupções no mercado e a crescente demanda por eletricidade podem resultar em custos mais altos para garantir a segurança e a resiliência do sistema, impactando, em última instância, tarifas e encargos setoriais.
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