Comissão Europeia propõe eletrificação massiva da economia para reduzir fósseis até 2040
A Comissão Europeia finaliza um ambicioso "Plano de Ação para a Eletrificação", com publicação prevista para 17 de julho, que visa estabelecer uma meta de consumo mínimo de eletricidade na UE até 2040. A iniciativa busca acelerar a transição energética, impulsionando veículos elétricos, bombas de calor e a eletrificação industrial, em resposta à crise energética e à dependência de combustíveis fósseis.
A Comissão Europeia formalizará uma das mais ambiciosas propostas para a transição energética do bloco, o "Plano de Ação para a Eletrificação", com publicação prevista para 17 de julho. O plano preliminar estabelece como meta que uma porcentagem mínima do consumo de energia da União Europeia seja elétrica até 2040, embora o percentual exato ainda não tenha sido detalhado no rascunho.
A iniciativa é uma resposta à crise energética e à dependência de combustíveis fósseis. Seu objetivo central é reduzir o uso de petróleo e gás, acelerando a eletrificação em diversos setores da economia, desde o transporte até a indústria e o consumo residencial.
Entre as medidas propostas, destacam-se incentivos robustos para a adoção de veículos elétricos (VEs) e a substituição de caldeiras a gás por bombas de calor em residências. A Comissão considera, ainda, tornar obrigatória a instalação de bombas de calor em edifícios públicos e estabelecer metas mais ambiciosas para a aquisição de VEs pela administração pública dos Estados-Membros.
Para impulsionar a eletrificação, um quadro será proposto para que os Estados-Membros possam reduzir o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre tecnologias-chave, como baterias domésticas, VEs e bombas de calor. Paralelamente, o plano prevê a eliminação gradual dos subsídios a combustíveis fósseis, alinhando a política fiscal com os objetivos de descarbonização.
A indústria também é um foco central. O plano prevê incentivos para a eletrificação de processos industriais, com o lançamento de um leilão de financiamento da UE ainda em 2026 para projetos de calor elétrico e energias renováveis. A expectativa é que a modernização das redes e uma maior integração do mercado energético europeu possam gerar uma economia anual de 40 bilhões de euros.
No entanto, a eletrificação massiva da economia europeia impõe um desafio crítico à infraestrutura de rede. A Comissão Europeia estima que serão necessários 1,2 trilhões de euros em investimentos nas redes elétricas da UE até 2040 para suportar essa transição. A urgência é sublinhada pela projeção de que atrasos de apenas dois anos na expansão da rede poderiam custar aos consumidores entre 30 bilhões e 60 bilhões de euros anualmente, o que se traduziria em um aumento de 8 a 10 €/MWh no preço da eletricidade.
Este "Plano de Ação para a Eletrificação" se insere em um arcabouço regulatório mais amplo. Ele complementa o pacote "AccelerateEU", que visa acelerar procedimentos de licenciamento para projetos renováveis para um máximo de dois anos em toda a Europa até o final de 2026. Soma-se também ao "Pacote Europeu de Redes" e à iniciativa "Autoestradas da Energia", apresentados em dezembro de 2025, que incluem a revisão do Regulamento das Redes Transeuropeias de Energia (RTE-E).
A proposta busca ainda reduzir os preços da energia ao propor que a eletricidade seja tributada menos do que os combustíveis fósseis, com impostos especiais para famílias vulneráveis. Após a publicação, a proposta será debatida pelo Parlamento Europeu, marcando mais um passo na estratégia da UE para alcançar a meta já estabelecida de 32% de participação da eletricidade no consumo final de energia até 2030 e avançar para a descarbonização completa.
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