IEA projeta salto na capacidade renovável global, dobrando ritmo até 2030
A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê um crescimento sem precedentes na capacidade global de energia renovável, com um acréscimo de quase 4.600 GW entre 2025 e 2030, o dobro do registrado nos cinco anos anteriores. A solar fotovoltaica e a eólica responderão por 96% dessa expansão, consolidando a transição energética global.
A capacidade global de energia renovável deverá quase dobrar nos próximos cinco anos, com a Agência Internacional de Energia (IEA) projetando um acréscimo de 4.600 GW entre 2025 e 2030. O ritmo de expansão é o dobro do crescimento observado no quinquênio anterior, indicando a aceleração da transição energética global, segundo o mais recente relatório da agência.
As adições anuais de capacidade renovável deverão saltar de 683 GW em 2024 para quase 890 GW em 2030, impulsionadas principalmente pela energia solar fotovoltaica e eólica, que, juntas, representarão 96% desse crescimento. A solar, em particular, responderá por 80% de todas as novas adições globalmente no período, consolidando-se como a fonte de energia de mais rápido crescimento.
Essa trajetória coloca as fontes renováveis em condições de ultrapassar o carvão como principal fonte de eletricidade global já em 2026, ao atingirem 36% do fornecimento mundial, enquanto o carvão recuará para 32%. A IEA tem consistentemente apontado para essa tendência em seus relatórios anuais, como o 'Renewables 2024', 'Renewables 2025', 'Electricity 2026' e 'Global Energy Review 2026', que monitoram a evolução da descarbonização e eletrificação.
Espera-se uma aceleração significativa da transição energética, com as fontes de baixa emissão – renováveis e nuclear – atingindo 50% da geração global de eletricidade até 2030, um aumento substancial em relação aos 42% registrados em 2025. Esse cenário é favorável à queda nos custos de energia, impulsionada pela redução dos preços da solar, eólica e tecnologias de armazenamento, segundo levantamentos da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA).
No Brasil, a projeção da IEA consolida o país como líder global em descarbonização, com a estimativa de que a geração renovável representará 95% da matriz elétrica em 2026. Essa participação é significativamente superior à média global projetada de 36% para o mesmo período, posicionando o Brasil como referência internacional na utilização de fontes limpas. Atualmente, a capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) de julho de 2026, é composta por 42,8% de hidrelétrica, 13,7% de eólica e 8% de solar.
A geração eólica e solar no país deverá crescer quase 50% entre 2022 e 2026, atingindo cerca de 200 TWh e uma participação combinada de quase 30% na geração elétrica nacional. Esse avanço favorece consumidores e indústrias que buscam energia limpa e competitiva, e já impulsiona discussões regulatórias sobre a expansão da geração distribuída, que já soma mais de 20 GW de capacidade instalada no Brasil.
Apesar do otimismo nas projeções de capacidade, a IEA aponta uma questão crítica: a necessidade de dobrar o investimento global em redes elétricas, superando US$ 600 bilhões anuais até 2030. Essa demanda por infraestrutura robusta é essencial para integrar o volume crescente de energia renovável, caracterizada por intermitência e geração em locais muitas vezes distantes dos centros de consumo, exigindo a adição ou recondicionamento de mais de 80 milhões de quilômetros de redes até 2040.
A não expansão e modernização das redes pode limitar o potencial de crescimento das renováveis e atrasar a transição energética. No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) já propôs em novembro de 2023 a redução da inflexibilidade contratual de usinas térmicas, com o objetivo de otimizar a integração de renováveis, e novas linhas de transmissão estão em preparação para conectar o Nordeste, rico em eólica e solar, ao Sudeste e Sul do país.
As projeções da IEA, embora não constituam marcos regulatórios por si só, servem de base crucial para a formulação de políticas energéticas nacionais e internacionais. A Agência Internacional de Energia e a Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) são os principais atores globais na elaboração dessas análises, enquanto no Brasil, o MME e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) são os reguladores e formuladores de políticas que respondem a essas tendências, moldando o cenário para geradores, distribuidoras e consumidores.
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