EPE estima potencial de 8,8 GW para resposta da demanda e propõe aprimoramentos
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima um potencial de 8,8 GW para a resposta da demanda no Brasil, valor que contrasta com os 344 MW atualmente contratados. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) já deliberaram por aperfeiçoamentos no programa, com a ANEEL dando prazo para ONS e CCEE melhorarem a transparência dos mecanismos.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou uma Nota Técnica em 18 de setembro de 2026, atendendo a uma deliberação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), na qual estima um potencial de 8,8 GW para a resposta da demanda no Brasil. Este valor, que pode variar entre 5,9 GW em um cenário conservador e 13,1 GW em um otimista, representa entre 5,6% e 12,4% do recorde de demanda instantânea do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em linha com as diretrizes do CMSE, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) concedeu, em 22 de setembro de 2026, um prazo de 90 dias para que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) aperfeiçoem os mecanismos de divulgação e transparência do programa.
O potencial apontado pela EPE contrasta com os apenas 344 MW de resposta da demanda atualmente contratados no país, volume que equivale a cerca de 0,3% do pico de demanda e foi alcançado após o terceiro Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda, conduzido pelo ONS com um deságio médio de 49,23%. Para que o mercado se desenvolva e esse potencial se materialize, a EPE propõe aprimoramentos nos instrumentos de contratação, incluindo uma nova metodologia para o cálculo do preço-teto, a evolução no modelo e duração dos contratos de capacidade, além da definição de requisitos técnicos claros como duração de despacho, antecedência de acionamento e tempo de rampa. As regras de comercialização do programa estrutural, estabelecido pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.040/2022, são aplicadas desde janeiro de 2024.
A resposta da demanda é vista como um recurso estratégico para a modicidade tarifária e a confiabilidade do sistema elétrico, oferecendo uma alternativa potencialmente mais rápida e econômica à contratação de geração adicional. Sua flexibilidade pode influenciar o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que, quando elevado, aumenta os custos associados à repactuação do risco hidrológico e outros encargos. A EPE defende que a resposta da demanda seja tratada como alternativa estrutural para atender às necessidades de potência, o que pode reduzir a necessidade de acionamento de térmicas mais caras e, consequentemente, os custos sistêmicos. O crescimento do Mercado Livre de Energia (ACL), que registrou aumento de 3,4% no consumo e responde por 45,7% do consumo nacional no último trimestre, com um aumento de 21,5% no número de consumidores migrando, cria um ambiente fértil para a expansão do programa, focado nos setores industrial e de cogeração.
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