EPE reforça visão de longo prazo para energia no Fórum Sinerges 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participou do Fórum Sinerges 2026, em Vitória, para apresentar as projeções do setor e as tendências de alta renovabilidade, eletrificação e microgeração distribuída. O evento reiterou a estratégia de planejamento sem anunciar novas diretrizes regulatórias.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participou, em 16 de setembro, do Fórum Sinerges 2026, em Vitória (ES), onde o Diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais, Thiago Ivanoski, proferiu palestra sobre o futuro do setor energético e elétrico no Brasil e no Espírito Santo. O evento, em sua segunda edição, foi palco para a discussão de desafios, oportunidades e tendências da cadeia de energia no estado e no país, conforme comunicado da própria EPE.
Na apresentação, a EPE destacou a alta renovabilidade da matriz energética brasileira, que mantém um dos maiores percentuais de fontes limpas globalmente, e as projeções de consumo e emissões de gases de efeito estufa por setor. Entre as tendências estruturais mencionadas, sobressaem o crescimento da Mini e Microgeração Distribuída (MMGD) e o avanço da eletrificação em diversos segmentos da economia. No Espírito Santo, a geração solar, impulsionada pela MMGD, adicionou 1.239 MW entre 2004 e 2025, contribuindo para um crescimento médio anual de 6,0% na capacidade instalada do estado, que passou de 893 MW para 3.046 MW no período.
A participação da EPE reforça a visão estratégica de longo prazo para o setor, reiterando as projeções de seus principais instrumentos de planejamento. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 projeta a ampliação e diversificação da oferta para atender ao crescimento do consumo, mantendo a matriz renovável. Já o Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 indica que o Brasil possui recursos para suprir as necessidades dos cenários traçados para os próximos 30 anos, exigindo investimentos em geração, transmissão, infraestrutura de gás e bioenergia com captura de carbono. Em agosto, o MME e a EPE lançaram o Atlas Brasileiro da Transição Energética – Recorte dos Estados 2026, que detalha esses avanços regionalmente.
Embora o Fórum Sinerges 2026 não tenha sido o palco para anúncios de novas diretrizes regulatórias ou impactos imediatos em tarifas e no mercado de curto prazo, a reiteração dessas projeções de longo prazo pode influenciar a percepção de risco e as expectativas dos agentes. A sinalização de um futuro com demanda crescente e uma matriz cada vez mais descentralizada e eletrificada tende a orientar investimentos em fontes renováveis e soluções de gestão de demanda, o que pode sustentar a necessidade de expansão da oferta e, consequentemente, os preços de contratos de longo prazo no Ambiente de Contratação Livre (ACL).
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