Implantação de renováveis precisa dobrar ritmo para meta de 2030, aponta IRENA
Um relatório da IRENA, presidência da COP31 e GRA revela que, apesar do recorde de 693 GW instalados em 2025, o mundo precisa mais que dobrar o ritmo anual de implantação de energias renováveis para atingir a meta de 11,2 TW até 2030. O Brasil enfrenta desafios regulatórios e de infraestrutura que podem limitar sua contribuição.

Apesar de um ano recorde em 2025, com 693 GW de capacidade renovável instalada globalmente, o ritmo atual de expansão é insuficiente para cumprir a meta de triplicação até 2030, acordada na COP28. Um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), da presidência da COP31 e da Aliança Global para Energias Renováveis (GRA), divulgado nesta segunda-feira (21/9) na Semana do Clima de Nova York, alerta que a implantação anual precisa mais que dobrar para alcançar os 11,2 TW necessários em cinco anos.
O documento, intitulado “Cumprindo o Consenso dos Emirados Árabes Unidos”, aponta que, para sair dos 5,1 TW de capacidade total de 2025 e atingir a meta de 11,2 TW em 2030, o mundo precisa instalar, em média, 1,2 TW anualmente entre 2026 e 2030. Esse volume representa um aumento de 73% sobre o resultado de 2025. A eficiência energética também permanece aquém do necessário, com uma melhoria de 2% em 2025, metade da taxa anual de 4% exigida para dobrar a eficiência até 2030. O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, afirmou que a demanda elétrica cresce mais rápido que o esperado e as redes não acompanharam a expansão das renováveis.
Diante do cenário, o relatório insta a medidas mais ousadas antes da COP31, em Antalya, Turquia, em novembro. Entre as prioridades estão o investimento de quase US$ 1 trilhão por ano em redes elétricas entre 2026 e 2030, mais que o dobro dos níveis de 2025, e a ampliação de baterias e sistemas de armazenamento para garantir energia firme 24 horas por dia. No Brasil, o desafio se soma a marcos regulatórios recentes no país, como a Lei 14.300/2022, que estabelece a cobrança progressiva do Fio B para novos projetos de geração distribuída (GD), atingindo 60% em 2026 e 100% em 2029, elevando custos e impactando a viabilidade de novos investimentos.
Paralelamente, a Lei 15.269/2025 acelera a abertura do Mercado Livre (ACL), que estará totalmente acessível até novembro de 2028, intensificando a competição e a demanda por lastro no setor. Contudo, a postura da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que defende a "adição energética" em vez de transição, pode sinalizar um desalinhamento com a urgência da meta global. Somado aos gargalos de transmissão e restrições operativas para usinas renováveis, o país pode ter dificuldades para integrar a capacidade necessária para cumprir seus próprios compromissos. Atualmente, o PLD no Sudeste/Centro-Oeste está em R$ 155,30/MWh, e a matriz de geração do Sistema Interligado Nacional (SIN) é composta por 55% hidráulica, 18% eólica e 15% solar.
A Lei 15.269/2025, por sua vez, deixou aproximadamente 35 pontos dependentes de regulamentação pela ANEEL e MME, incluindo detalhes operacionais e marcos para armazenamento. A celeridade e a clareza dessas definições serão essenciais para destravar investimentos, especialmente em soluções de flexibilidade e armazenamento que o relatório da IRENA aponta como cruciais para a integração de grandes volumes de renováveis. Sem uma infraestrutura robusta e um arcabouço regulatório que enderece os gargalos de rede, o Brasil pode ter sua contribuição para a transição energética global comprometida, dificultando o cumprimento das metas climáticas do país.
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