Queda de torres de Belo Monte aciona térmicas e impulsiona debate sobre reserva de capacidade
Um incidente em uma das linhas de transmissão do Bipolo de Belo Monte, no Pará, interrompeu o envio de 4 GW de energia para o Sul e Sudeste, forçando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a acionar usinas termelétricas para garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). O episódio, ocorrido em 22 de janeiro, reforça a defesa da Associação Brasileira de Geradores Termelétricos (ABRAGET) pela urgência na contratação de reserva de capacidade, com um leilão previsto para junho.
Em 22 de janeiro, a queda de torres de um dos bipolos da linha de transmissão Xingu/Terminal Rio (HVDC ±800 kV), responsável por escoar a energia da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte (PA), interrompeu o envio de 4 GW de potência para as regiões Sul e Sudeste do Brasil. O incidente, provocado por fortes chuvas, levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a despachar imediatamente usinas termelétricas em diversos estados. A medida visou suprir a demanda, assegurar o controle de tensão e frequência no Sistema Interligado Nacional (SIN) e, assim, evitar um blecaute.
Para a Associação Brasileira de Geradores Termelétricos (ABRAGET), o incidente no subsistema de energia elétrica do Norte evidencia a importância crucial das térmicas para a segurança eletroenergética do país. A linha Xingu/Terminal Rio é estratégica, composta pelos Bipolos I e II, cada um com capacidade de 4 GW, e é vital para o escoamento da energia gerada pela UHE Belo Monte, a terceira maior do mundo, com 11,2 GW de capacidade instalada.
O Bipolo I foi energizado em 2017 e o Bipolo II em 2019, representando um investimento estratégico para a integração energética nacional. O incidente em um dos bipolos, operado pela Xingu Rio Transmissora de Energia (XTRE), exigiu do ONS o acionamento de térmicas para compensar a interrupção de 4 GW, uma parcela considerável da capacidade de transmissão que se tornou indisponível para o sistema.
Xisto Vieira Filho, presidente da ABRAGET, explicou que o ocorrido evidencia a necessidade de o Brasil dispor de um parque de termelétricas que possam ser acionadas a qualquer momento. Ele argumenta que, embora a sociedade esteja acostumada a ver as térmicas atuando em períodos secos ou para atender horários de pico, essas usinas são essenciais 24 horas por dia. Elas complementam a intermitência de fontes renováveis, como a eólica (com cerca de 29 GW de capacidade instalada) e a solar (com cerca de 42 GW), e também garantem o suprimento ao consumidor mesmo em períodos úmidos, como o atual.
Xisto Vieira Filho classificou as térmicas como um “seguro que nenhum país pode abrir mão, sob pena de ficar no escuro”. Ele também destacou que o incidente reforça a importância do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), previsto para junho. Estudos da ABRAGET indicam a necessidade de contratação de pelo menos 13 GW de potência no certame, considerando que cerca de 10 GW de térmicas podem ser descontratadas nos próximos anos.
O LRCAP é um instrumento regulado por portarias do Ministério de Minas e Energia (MME) e resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Ele foi criado para garantir a confiabilidade do setor elétrico e a segurança do suprimento, remunerando a disponibilidade de potência e não a energia efetivamente gerada. O leilão se diferencia dos leilões de energia nova e foi ancorado por diretrizes como a Lei nº 14.120/2021, que busca modernizar o setor elétrico com mais flexibilidade e robustez.
A matriz elétrica brasileira, com cerca de 190 GW de capacidade instalada, é majoritariamente renovável (aproximadamente 83%). No entanto, a capacidade térmica despachável é crucial para lidar com incidentes inesperados e a variabilidade das fontes renováveis. O acionamento emergencial de térmicas, embora vital para evitar blecautes, implica em custos mais elevados para o sistema, que são repassados aos consumidores por meio de encargos setoriais e tarifas de energia.
A falta de contratação adequada de reserva de capacidade pode levar a um aumento da volatilidade do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) e a um risco maior de racionamento ou apagões, impactando diretamente a indústria e a economia. O episódio intensifica o debate sobre o equilíbrio entre a expansão de renováveis e a necessidade de capacidade firme e despachável para uma transição energética segura.
Os próximos passos incluem a realização do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) em junho, com a expectativa de contratação dos 13 GW de potência. Paralelamente, o ONS e a ANEEL conduzirão uma investigação detalhada sobre as causas da queda das torres da linha de transmissão Xingu/Terminal Rio para determinar responsabilidades e medidas corretivas. A recuperação e energização da linha danificada são prioridades para restabelecer a plena capacidade de escoamento da energia de Belo Monte, garantindo a estabilidade do sistema e mitigando riscos futuros.
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Matéria redigida pela redação IA do Radar Energia a partir do documento da fonte. Consulte o original para validação técnica e jurídica.
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